Osmar pede para Malan vetar royalties
Patrícia Zanin
De Curitiba
O senador Osmar Dias (PSDB-PR) disse ontem ao ministro da Fazenda Pedro Malan que a antecipação dos royalties de Itaipu reivindicada pelo governo do Paraná é o maior exemplo de descontrole das contas públicas. Dessa forma, Osmar tenta minar o pedido feito pelo governo do Estado à União por entender que o governo federal, ao permitir operações como essa, coloca o ajuste fiscal na lata do lixo.
O senador passou duas horas e meia reunido com Malan, a convite do próprio ministro. Também participaram do encontro, realizado no Ministério da Fazenda das 13h30 às 16 horas, o líder do governo no Senado, senador José Roberto Arruda (PSDB-SP) e assessores de Malan.
De acordo com o senador, o ministro informou que ainda não está decidido se o governo federal vai antecipar ou não os royalties de 23 anos de Itaipu ao governo do Paraná, operação que renderia R$ 1,5 bilhão pelos cálculos da equipe do governador Jaime Lerner (PFL). O ministro disse que ainda não tomou nenhuma decisão, não só em relação ao Paraná, mas em relação aos outros estados e vai discutir com os governadores.
Na opinião de Osmar Dias, o mesmo governo que manda para o Congresso a Lei de Responsabilidade Fiscal ainda não votada não pode permitir a antecipação dos royalties, por comprometer a receita do Estado pelos próximos 23 anos. E o pior de tudo é que essa antecipação pode ser feita através de títulos, que serão vendidos pelo Estado com deságio. O Paraná já perde de cara, afirmou o senador tucano. Os outros dois senadores do Paraná Alvaro Dias (PSDB) e Roberto Requião (PMDB) também são contrários à antecipação dos royalties.
Osmar Dias também aproveitou o encontro com o ministro da Fazenda para fazer um alerta em relação ao que ele chama de combinação de erros do governo federal e do Senado. Segundo ele, ao permitir o desrespeito de critérios fixados pela resolução 78, que limita o endividamento público, o governo, com aval dos senadores, aumenta a dívida do País ao invés de reduzi-la, como se comprometeu com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
O senador criticou ainda o fato de o Paraná ter obtido autorização no Senado em dezembro de 1997 para empréstimos de US$ 1 bilhão e que agora não usa o dinheiro por falta de contrapartida.





