O senador paranaense Osmar Dias (PSDB) negou ontem que tivesse se comprometido em dar a 27ª assinatura ao requerimento da CPI da Corrupção, caso o bloco de oposição conseguisse reunir os demais apoios. O senador tucano acrescentou que não irá assinar o requerimento enquanto ele estiver com o conteúdo muito genérico, sem uma denúncia específica. ‘‘Não adianta querer investigar várias denúncias ao mesmo tempo, é melhor focar os trabalhos para poucas. Ou então não se chegará a um resultado satisfatório’’, alegou, em entrevista à Folha por telefone.
O irmão, o também senador Álvaro Dias (PSDB) disse que está aguardando uma decisão do Superior Tribunal Federal (STF) sobre a constitucionalidade da comissão antes de definir pelo apoio ou não da investigação no Senado. ‘‘Não podemos iniciar os trabalhos sem termos certeza. Ou então corremos o risco de fazer um verdadeiro teatro que irá desmoralizar ainda mais a imagem do Senado’’, argumentou, prometendo para amanhã uma definição sobre o assunto.
Álvaro acrescentou estar ‘‘propenso’’ a assinar o requerimento caso a decisão do STF seja favorável. Em relação a nota oficial divulgada pelo PSDB de união ao presidente Fernando Henrique Cardoso, o senador ressaltou que sempre teve uma atitude independente perante o Governo Federal e que não seria um ato de rebelia apoiar a CPI.
Já o pemedebista Roberto Requião informou que já tinha assinado o requerimento para criação da CPI antes mesmo da viagem que fez aos Estados Unidos, na última semana, e voltou a assinar ontem depois que algumas mudanças foram feitas no conteúdo das denúncias. O senador disse que aqueles que não assinarem o requerimento terão que se explicar com o povo brasileiro. ‘‘Não vejo nada de inconstitucional em investigar ladrão. É um dever do Senado fiscalizar os trabalhos do Executivo e é isso que será feito. Só espero que os demais senadores do Paraná assinem também como eu fiz’’, alfinetou Requião.

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