O senador Osmar Dias (PSDB-PR) voltou a afirmar ontem que não vai retirar sua assinatura do requerimento para a criação da CPI da Corrupção no Senado. Segundo ele, a expulsão dele e do irmão Alvaro Dias, por causa do apoio à investigação que envolveria o presidente Fernando Henrique Cardoso, do mesmo partido, seria um ato ilegal e arbitrário.
A decisão sobre a expulsão, defendida pelo presidente nacional do PSDB, deputado José Aníbal (SP), seria discutida numa reunião da executiva nacional do partido, que começou no início da noite de ontem com a presença dos governadores do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), do Pará, Almir Gabriel (PSDB), e de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). O ministro da Educação, Paulo Renato de Souza, também participou. O deputado federal Luiz Carlos Hauly (PR) representou a bancada paranaense.
Antes do encontro, a bancada tucana no Senado fez uma reunião e quatro senadores participaram com o objetivo de solidarizar-se com os irmãos Dias. Caso não consiga afastar os dois senadores do PSDB, José Aníbal tentará aprovar outra proposta: a intervenção no diretório regional do Paraná, comandado pelos dois senadores.
Até às 22 horas, a reunião – que não contou com a participação dos irmãos Dias – não havia acabado. Mas a tendência, segundo a assessoria tucana, era buscar o consenso. A possibilidade de expulsão, ainda segundo a assessoria, estava praticamente descartada.
Osmar Dias disse ontem que não estava preocupado com o resultado da reunião. ‘‘Eu estou curioso porque espero que o PSDB nos revele hoje sua verdadeira identidade. Espero que seja a identidade que consta no programa do partido, que é a defesa da ética e combate a corrupção’’. Ele acrescentou: ‘‘José Aníbal não tem o direito de determinar como devo exercer meu mandato’’.
Em caso de expulsão, Osmar disse que não pretende recorrer da decisão da executiva. Mas garantiu que só irá conversar com outros partidos caso deixe o ninho tucano. Ele já recebeu convites do PT, PMDB, PDT e PTB e admitiu que se sentiria confortável na sigla do senador Roberto Requião (PMDB).
Alvaro – que passou o dia no Rio acompanhando os trabalhos da CPI do Futebol – disse que não acredita numa intervenção do diretório nacional no Paraná, como insinuou José Aníbal. ‘‘A intervenção insejaria uma reação. Iríamos recorrer.’’

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