Os senadores Osmar e Alvaro Dias decidiram ontem sair do PSDB, depois que a executiva nacional do partido resolveu, no final da tarde, propor a expulsão de ambos, comunicando a resolução ao Conselho de Ética do partido. Na próxima terça-feira, a cúpula tucana volta a se reunir para decidir se intervém ou não na executiva do Paraná, cuja direção Alvaro também abandonou ontem. Os dois irmãos devem comunicar o desligamento da sigla amanhã, mas só em agosto vão definir partidos onde se acomodarão.
Com a renúncia de Alvaro ao comando tucano no Estado, o deputado federal Luiz Carlos Hauly foi eleito ontem para seu lugar. A tática de eleger Hauly foi adotada na tentativa de evitar que o partido fosse tomado por um interventor. Hauly tem trânsito fácil na cúpula nacional e serviria de obstáculo à entrega da presidência do partido ao grupo de Euclides Scalco, presidente brasileiro da Itaipu Binacional, e do ex-governador José Richa. Com a eleição de Hauly, estaria impedida a posse provisória do vice-presidente do partido, deputado Basílio Vilani – não alinhado com os Dias. De acordo com o regimento, o vice só assume em casos de viagens e impedimentos.
O presidente nacional do PSDB, deputado José Anibal (SP), quer expulsar os senadores paranaenses da legenda porque eles se recusaram a retirar as assinaturas do requerimento da CPI da Corrupção, para investigar o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O partido havia fechado questão contra a CPI, mas os irmãos Dias mantiveram a posição argumentando que uma legenda que prega ética deveria apoiar a CPI.
Em tese, Hauly fica na presidência até dezembro, quando terminaria o mandato de Alvaro. Hauly teve reunião ontem à tarde com José Anibal, quando comunicou que é novo chefe do partido no Estado. Disse que não vai aceitar intervenção no PSDB paranaense.
Alvaro – candidato ao governo do Estado em 2002 – declarou que iniciativa da executiva afasta ‘‘totalmente’’ os irmãos do ninho tucano. ‘‘Cumprimos o programa e somos punidos. O partido optou pela complacência com a corrupção’’, alfinetou. Alvaro disse que acertou com o PMDB sua permanência na presidência da CPI do Futebol. Ele assumiu a função graças a um acordo com o PMDB. ‘‘Deveriam trocar o símbolo do partido (um tucano) por uma avestruz, que enfia a cabeça na terra para não ver a realidade’’, provocou Osmar. Osmar também é candidato declarado ao governo do Paraná.
O deputado estadual José Maria Ferreira (PSDB) reafirmou ontem que a saída dos irmãos Dias provocará uma debandada do partido. ‘‘Sabemos a direção que as coisas estão tomando, mas não o destino’’, disse. Para ele, uma intervenção no Paraná seria ‘‘traumática’’ à executiva nacional. (Colaborou Redação)

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