O senador Osmar Dias (PSDB) disse ontem que vai apresentar um requerimento pedindo auditoria do Banco Central no Banestado. O senador aguarda o encaminhamento do acordo a ser firmado até o dia 30 entre BC e governo do Paraná para questionar o défict de R$ 4,1 bilhões apresentado pelo secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, na última segunda-feira. Osmar suspeita que o rombo apresentado pelo secretário não corresponde à realidade.
A oposição ao governador Jaime Lerner (PFL) na Assembléia Legislativa tentou comprovar ontem que está havendo maquiagem dos números. O deputado do PT Ângelo Vanhoni (foto) apresentou estudo contestando os números de Gionédis. Ao invés de R$ 4,1 bilhões, o deputado afirma que o rombo do banco é de cerca de R$ 2,3 bilhões, R$ 1,8 bilhão a menos. Vanhoni disse que pelo seu cálculo, feito com a ajuda de técnicos, o Banestado pode continuar sob o controle do Estado e ser saneado com a injeção de R$ 1,3 bilhão.
Segundo ele, metade desses recursos - cerca de R$ 650 milhões - seria repassada pela União e a restante bancada pelo governo Lerner. ‘‘Não precisamos privatizar. O governo pode colocar as ações da Copel em garantia e financiar o restante. Em cinco anos, com o banco saudável, pagaremos o débito’’, assinalou. De acordo com o estudo de Vanhoni, o Banestado, recuperado, pode dar lucro de até R$ 129 milhões ao ano. ‘‘Eles estão querendo vender uma imagem de que não há solução, e isso é uma mentira’’, acusou.
Nas contas do deputado, o governo do Estado superestimou a inadimplência e as dívidas. ‘‘Dos R$ 889 milhões de inadimplência, quase R$ 300 milhões já foram pagos ou estão em negociação, sem podermos dizer que são créditos perdidos’’, observou. Ele citou como exemplos negociações feitas entre o governo e Cidade Industrial de Curitiba (CIC) e C.R. Almeida. ‘‘Nestas transações computamos abatimento de cerca de R$ 100 milhões’’, informou.
O deputado exclui no seu cálculo os R$ 1,1 bilhão necessário para a privatização propriamente dita e referente à dívida de aproximadamente R$ 500 milhões do governo com a Fundação de Previdência do Banestado (Funbep); o acordo de Basiléia, que prevê patrimônio líquido mínimo de R$ 500 milhões para funcionamento do banco; e outros R$ 100 milhões para implementar o Plano de Demissão Voluntária (PDV). Vanhoni apresentará hoje um substitutivo em plenário contendo os novos valores. A tendência é de que a sua proposta não seja acatada pela base governista, que detém a maioria dos votos.
O deputado sugere em seu projeto que a Assembléia autorize o Executivo a financiar apenas R$ 2,3 bilhões junto à União, com prazo de 30 anos para pagamento e juros de 6% ao ano. Do total, R$ 1,3 bilhão para o saneamento, somado a outro R$ 1 bilhão para ajustamento financeiros de dívidas da União junto ao Banestado e do Fundo de Desenvolvimento Econômico (FDE) com o banco. Na proposta de Vanhoni já estão incluídos os R$ 650 milhões de contrapartida para mero saneamento, sem privatização. (L.D)

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