Arquivo FolhaChumbo grossoOsmar Dias, em relação a Lerner:‘‘Esta é, sem dúvida, a pior gestão financeira de toda a história do ParanᒒO senador Osmar Dias (PSDB) usou a tribuna do Senado ontem para se defender das críticas feitas pelo governador Jaime Lerner (PDT) em torno do bloqueio dos recursos do Paraná pela CAE (Comissão de Assuntos Econômicos). ‘‘Esta é, sem dúvida, a pior gestão financeira da história do Paraná. São os novos caminhos do endividamento, do abandono e da incompetência’’, acusou o senador, ironizando o slogan ‘‘Novos Caminhos’’ utilizado por Lerner em sua campanha eleitoral.
Osmar defendeu a sub-comissão da CAE - criada ontem por requerimento do senador Vilson Kleinubing (PFL-SC) - para ‘peneirar’ todos os contratos firmados pelos governos estaduais com montadoras de agora em diante e sugeriu uma investigação do Tribunal de Contas no caso do Paraná. ‘‘Talvez, em outros estados, não esteja acontecendo essa festa com champanhe francês e tudo, mas no Paraná, o problema é sério’’, afirma.
‘‘No dia 1º deste mês, o governador Jaime Lerner pagou, com dinheiro do povo, para aparecer no horário nobre das tevês do Estado, não para anunciar novas obras ou benefícios reais para a população. Mas para mentir. Infelizmente o Paraná tem um governador mentiroso e pouco digno’’, disse. O senador informou ainda que assim como Roberto Requião (PMDB) sua equipe jurídica está pedindo direito de resposta ao pronunciamento de Lerner do último domingo.
Segundo o senador, que se diz vítima de uma campanha ‘‘sórdida, mentirosa e caluniosa’’, o governo não poderá se utilizar com eficiência dos empréstimos bloqueados ‘‘porque não tem condições de oferecer a contrapartida exigida’’. Osmar diz que recursos como os do BNDES (caucionados pela Copel), Paraná Urbano, Prosam, estão ‘‘parados’’ gerando multas para o Estado.
‘‘O governo do Paraná ousa comprometer o futuro do Estado vendendo empresas públicas como a Copel, para poder pagar o funcionalismo’’, atacou o senador ao afirmar que o governo Lerner gasta 96% da receita com a folha de pagamento do funcionalismo e R$ 105 milhões com a publicidade em 96. Osmar voltou a desafiar o governador a revelar os termos do protocolo firmado com a Renault.
Horas depois do pronunciamento de Osmar, no Senado, o governador Jaime Lerner rebatia as acusações no Palácio Iguaçu. Iniciou a contra-argumentação, defendendo o senador José Eduardo de Andrade Vieira (PTB). ‘‘Tenho respeito por ele. Foram o Requião e o Osmar que bloquearam os nossos empréstimos’’, avisou o governador, que voltou a afirmar que o Paraná tem capacidade de endividamento para dar contrapartida aos empréstimos.
Para isso, baseou-se nas declarações feitas minutos antes pelo presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Sérgio Cutolo, que veio ao Paraná para assinar um convênio com o governo do Estado. ‘‘O Cutolo sabe que podemos assumir isso, o que comprova que o que esses senadores estão falando é mentira’’, rebateu o governador que já determinou que a sua equipe de governo formalize - através do chefe da Casa Civil, Rafael Greca, e do Planejamento, Miguel Salomão - uma representação junto ao Senado para forçar o desbloqueio.
Lerner diz que não teme os reflexos das medidas judiciais tomadas por Requião e Osmar. ‘‘Acho que ele (Osmar) está sentando muito perto do Requião. Pode ficar irrecuperável também’’, ironizou. O governador sustenta que as suas declarações durante o pronunciamento de domingo não foram caluniosas, mas sim um ‘‘relato da verdade’’. ‘‘Não tenho medo de um processo calcado na verdade. Aliás, não sou eu que fui condenado diversas vezes e assumi sub-judice’’, declarou, referindo-se ao senador Requião, que responde por um processo de cassação de mandato.

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