O senador Osmar Dias (PSDB) se reúne nesta segunda-feira à tarde com a diretoria do Banco Central, em Brasília, para colher informações sobre o processo de privatização do Banestado. O senador quer ter os dados em mãos para se manifestar sobre a proposta que pode entrar na pauta da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado na terça-feira. A presidência da CAE já designou o senador Gerson Camata (PMDB-ES) para relatar o processo. Osmar Dias alega que o governo do Paraná não repassa informações sobre o assunto.
Osmar vai acompanhado de um consultor do Senado para acompanhar a inspeção interna que o BC faz no Banestado. O senador explica que é uma espécie de auditoria que apura denúncias e acusações feitas publicamente contra o Banco. Dentre as principais, o rombo de cerca de R$ 400 milhões deixado na Banestado, durante a gestão do ex-secretário dos Esportes Osvaldo Magalhães dos Santos, morto em setembro desse ano num trágico acidente automobilístico, e o pagamento irregular de dívidas com precatórios (créditos grantidos por decisão judicial).
Antes de recorrer ao BC, o gabinete do senador entrou em contato com a cúpula do Banestado, em Curitiba. ‘‘Estava combinado que a direção do Banco conversaria comigo. Eles não compareceram e mandaram técnicos. Eu queria falar com os integrantes da diretoria, são eles é que têm as informações políticas sobre a privatização’’, reclamou em entrevista por telefone ontem à Folha. Osmar informou que a sua conversa com o BC será feita em duas etapas, a primeira audiência está marcada para às 14 horas e a segunda, para às 17.
A decisão do senador de recorrer ao BC não deve ser interpretada como um sinal de que Osmar vai votar contra o acordo firmado entre o governo e o governo federal em março desse ano. Osmar disse que fará uma análise ‘‘circunstancial’’. ‘‘Se adiarmos a solução, o BC intervém, o que será um caos para os funcionários’’, discursou sinalizando que não pretende ser obstáculo durante a votação. No final do ano passado, Osmar e o senador Roberto Requião (PMDB) bloquearam durante meses a liberação de empréstimos externos para o governo do Paraná.

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