O senador tucano Osmar Dias (PSDB-PR) pretende interpelar na Justiça o ministro da Fazenda, Pedro Malan, sobre a carta que o ministro enviou ao Senado com argumentos favoráveis à liberação de empréstimos ao Paraná no valor de US$ 486 milhões. Na carta, o ministro contradiz relatório elaborado pela Secretaria de Tesouro Nacional, desaconselhando a liberação dos recursos. ‘‘Eu quero saber quem foi que mentiu. Se foi o ministro Malan, ele cometeu crime de responsabilidade’’, disse o senador.
Para Dias, a carta do ministro atendeu a ‘‘uma decisão política do Planalto’’. ‘‘O Palácio interferiu sem medir as consequências. Eu estava ao lado do senador Agripino Maia quando ele recebeu um telefonema do Eduardo Jorge pedindo apoio para aprovar os empréstimos’’. Para o senador, a carta foi ‘‘arranjada’’. Segundo Dias, que foi relator dos pedidos de empréstimos na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos), o documento assinado pelo ministro só chegou à comissão após a leitura do seu relatório, elaborado com base no documento da Secretaria do Tesouro Nacional.
‘‘O PFL precisava pagar essa fatura com o (Jaime) Lerner’’, afirma Dias. Os empréstimos estavam parados na CAE pelo menos desde maio. Em setembro, ao se transferir para o PFL, um dos acertos feitos pelo governador Jaime Lerner (PFL) com a cúpula do partido foi o apoio dos liberais aos empréstimos. Os empréstimos estavam barrados desde maio na CAE, que alegava não ter informações suficientes para conhecer a capacidade de endividamento do Paraná. As suspeitas da comissão foram reforçadas pela Secretaria do Tesouro.
Num relatório encaminhado à CAE, a secretaria afirma que o Paraná vem apresentando há três anos déficit primário (receita de impostos menos despesas, com exceção dos serviços da dívida).

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