Osmar confirma assédio para apoio a Lula
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de agosto de 2006
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
O senador e candidato ao governo do Estado pela coligação Paraná de Verdade (PDT/PP/PTB/PSB), Osmar Dias, admitiu ontem em Londrina que está sendo consultado sobre a possibilidade de apoiar o presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no Paraná. O partido de Osmar, PDT, disputa o Palácio do Planalto com o senador Cristovam Buarque.
''Fui visitado pelo (Jorge) Samek. Claro que eles estão pedindo apoio mas estamos decidindo. Temos candidato e não podemos assumir nenhum compromisso. Vamos aguardar o resultado das eleições'', afirmou. Além de Samek, que coordena a campanha de Lula no Estado, Osmar ainda deve se reunir com o candidato a vice-presidente na chapa petista, José de Alencar. ''Recebi uma ligação do vice-presidente José de Alencar de quem sou amigo. Ele me telefonou mais para uma conversa que teremos ainda quando tivermos oportunidade. A conversa com o Jorge Samek foi política porque estamos em uma eleição e é natural que haja esse tipo de conversa durante a campanha. Temos que obedecer a fidelidade partidária e eu farei isso no primeiro turno'', salientou.
Osmar também não poupou críticas à candidatura de Buarque. ''O lançamento de candidato próprio foi um equívoco porque eliminou a possibilidade de alianças importantes. Tínhamos uma aliança construída com o PSDB, com o PFL e foi um prejuízo ao próprio PDT porque poderíamos ter muitas pessoas que hoje estão até constrangidas nos apoiando no Paraná. O PDT não tem estrutura para ter candidato a presidente da República e pode até ter problemas para alcançar a cláusula de barreira por causa disso'', argumentou.
O desatrelamento das campanhas foi evidenciado no início do mês, quando o presidenciável cumpriu agenda de campanha pelo Paraná sem o candidato ao governo pelo partido. ''A minha agenda é marcada com antecedência e o candidato a presidente do PDT não comunicou nem a mim e nem aos responsáveis pela minha agenda sobre sua visita ao Paraná. Então ele fez sua agenda própria, desempenhou seus compromissos inclusive em Londrina e eu segui a minha agenda.''
Durante uma visita ao arcebispo de Londrina, dom Orlando Brandes, Osmar disse estar confiante que irá para o segundo turno. Ele foi citado por 24% dos entrevistados na pesquisa divulgada esta semana pela Rede Paranaense de Comunicação (RPC)/Ibope, contra 39% de Roberto Requião (PMDB). ''Sei que a pesquisa também demonstrou que quase a metade dos paranaenses não sabem que eu sou candidato ao passo que 100% sabe que o governador é candidato desde o primeiro dia que ele exerce o seu mandato. Para quem está em campanha há tanto tempo não há nenhuma preocupação da nossa parte em reverter esses números'', disse.
Osmar ainda confidenciou ao arcebispo que, em maio, quando enfrentava um problema de circulação nas pernas que o obrigou a passar por uma cirurgia, chegou a pensar em desistir da disputa ao governo. ''Fiquei doente e não era mais candidato, mas a pressão dos agricultores foi muito grande'', revelou. A atenção à agricultura foi um dos pontos salientados por dom Orlando.
O pedetista ainda se reuniu ontem com o reitor da Universidade Estadual de Londrina, Wilmar Marçal, onde a tônica foram os investimentos do Estado no fomento à pesquisa e ao ensino superior.
No meio da reunião, Osmar recebeu um papel de um assessor, com o resultado da votação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que impugnou a coligação entre o PMDB, de Requião, e o PSDB. ''Foi a primeira decisão e haverá recurso ainda mas acredito que para quem já está no governo há quatro anos e já teve mais quatro anos antes, não é agora com dois ou quatro minutos que vai ter diferença e apresentar propostas novas. Já conhecemos aquilo que o atual governo pode fazer'', afirmou, se referindo à possibilidade da campanha de Requião amargar uma sensível perda de tempo no horário eleitoral gratuito de rádio e televisão com o fim da coligação com os tucanos. No início da noite de ontem, Osmar ainda participou de uma reunião com membros do Conselho de Segurança de Londrina.


