Curitiba - O namoro entre o PT e o PDT no Paraná pode ter terminado ontem. Pré-candidato pelo PDT a governador do Estado nas eleições de outubro, Osmar Dias cancelou a reunião que faria com o comando do PT com o objetivo de tratar dos ajustes finais para a consolidação de uma aliança. A reunião ocorreria no início da tarde de ontem, em Brasília, mas o pedetista ligou para o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, cancelando o encontro. A reação dos petistas paranaenses foi imediata: o presidente estadual do PT, Ênio Verri, declarou que Osmar ''demora muito para tomar decisões simples'' e reconheceu que a consolidação de uma aliança agora é quase nula. ''Não me sinto otimista com a possibilidade de uma aliança onde se pensa muito e se faz pouco'', atacou Verri.
O PDT insistiria no nome da petista Gleisi Hoffmann para ocupar a vaga de candidata a vice-governadora do Estado na chapa, mas Verri voltou a afirmar ontem que o nome da correligionária já está confirmado para a disputa a uma das cadeiras no Senado e que em nenhum momento o PT sinalizou que poderia desistir do plano. ''Às vezes tenho a impressão de que o Osmar está procurando um motivo para desistir da aliança. Estamos nessa conversa há quase um ano e nunca houve qualquer sinalização do PT favorável à indicação da Gleisi Hoffmann para a vaga de vice'', disse Verri.
O presidente estadual do PDT em exercício, Augustinho Zucchi, desconversou ontem sobre o cancelamento da reunião. Ele sugeriu apenas que não havia até ontem, data da reunião, um fato novo que pudesse ser colocado na mesa de negociações. ''Temos que ter paciência. Assim como respeitamos o projeto do PT, esperamos que o PT nos respeite também'', disse Zucchi. Mais tarde, informado pela imprensa sobre as declarações do presidente estadual do PT, Zucchi atacou. Segundo ele, foi uma ''infantilidade do dirigente do PT'' sugerir que a questão envolvendo Gleisi Hoffmann seria uma espécie de desculpa de Osmar para negar a aliança. ''Aliança não é fusão'', disse o pedetista.
Verri afirmou que a sua legenda agora muda de caminho. A reunião da Executiva, marcada para a próxima segunda-feira, permanece na agenda, mas a pauta foi ampliada. Na prática, significa que, embora o PT não descarte totalmente a aliança com o PDT, os correligionários devem priorizar os planos de uma candidatura própria ao governo do Estado. Segundo ele, o PT já teria oferecido tudo que podia a Osmar: ''Estamos bastante decepcionados. Nós já oferecemos a militância e o apoio do presidente Lula. Já fizemos a nossa parte. Agora é com o PDT'', disse Verri.
No passado, quando o cenário da candidatura própria figurava em segundo plano, o PT ventilava os nomes da ex-secretária de Estado Lygia Pupatto e do ex-prefeito de Londrina Nedson Micheleti para encabeçar uma chapa ao governo do Estado. Ontem, contudo, Verri informou que um novo processo se inicia e que os nomes do quadro do PT ainda serão estudados. Os petistas Paulo Bernardo (ministro do Planejamento) e Jorge Samek (diretor presidente da Itaipu), que não se desincompatibilizaram dos seus cargos no último dia 3, já não podem mais se lançar nas eleições de outubro.
Tucanos comemoram
Tucanos comemoraram ontem o cancelamento da reunião do PT e do PDT. O presidente estadual do PSDB, Valdir Rossoni, disse que preferia não comentar sobre a relação estremecida dos petistas com Osmar Dias, mas deixou claro que entende que a união entre as duas legendas ''não é natural''. ''Tudo que não é normal encontra resistência. O quadro natural aqui, para não assustar o eleitor, é o PT seguindo com o PMDB'', afirmou ele.
O PT paranaense acredita que Osmar pode ser um palanque regional forte para a pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff. Já o PMDB defende a tese da candidatura própria, com Orlando Pessuti na cabeça da chapa, mas uma ala peemedebista também negocia com os tucanos.
O PSDB já lançou candidato próprio para o governo do Estado, o ex-prefeito de Curitiba Beto Richa, mas uma composição com o PDT de Osmar Dias nunca foi descartada. Beto apoiou Osmar no segundo turno das eleições de 2006, quando o pedetista disputava as urnas com Roberto Requião (PMDB). Nas eleições de 2008, Osmar retribuiu o apoio a Beto, quando o tucano foi reconduzido à Prefeitura de Curitiba. ''Nós nunca consideramos o PDT fora do nosso grupo. Só há um complicador, que é a questão federal (o PDT integra a base de apoio do governo federal petista)'', disse Rossoni.

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