Osmar atrela obras no PR a vitória de Dilma
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terça-feira, 21 de setembro de 2010
Janaina Garcia<BR> Reportagem Local 
Senador no segundo mandato, e novamente na disputa pelo governo do Estado - a qual perdeu, em 2006, por menos de 10 mil votos -, o candidato Osmar Dias (PDT) não esconde que boa parte das obras de pontos principais da sua plataforma de governo está atrelada à vitória de Dilma Rousseff (PT) à Presidência. Superar o Produtor Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul, avisa, é uma meta; o apoio do arquirrival Roberto Requião (PMDB), alega, é ''o reconhecimento da injustiça que ele cometeu'' nas acusações da campanha passada. Confira, a seguir, a entrevista concedida pelo pedetista à FOLHA em Londrina.
O senhor foi dos últimos a definir a candidatura ao governo, e, nas pesquisas, aparece polarizado na intenção de voto com o candidato do PSDB, Beto Richa. A demora em se definir candidato ao governo e em compor uma coligação tem eventual reflexo, agora, no comportamento do eleitor?
Não existe nenhuma definição nessa eleição, até mesmo porque se pesquisa ganhasse eleição, o (Roberto) Requião (PMDB) não teria sido governador nenhuma vez. Temos histórico de todas as eleições no Paraná que demonstram que é no mês de setembro que as eleições são definidas. E estamos trabalhando pra chegar dia 3 de outubro à frente do adversário; temos um planejamento e ele está sendo seguido. E minha candidatura foi lançada no dia em que deveria ser lançada - ou seja, último dia da convenção, 30 de junho, quando foi possível construir uma aliança que me foi prometida pelo presidente Lula há um ano e meio com partidos da base. Mas o PMDB somente definiu que me apoiaria na última semana, portanto, não houve demora da minha parte.
O pleito 2010 é para a sucessão de uma gestão de oito anos. O que deixou mais a desejar por parte do governo estadual, nesse período, e que, em eventual governo seu, será enfrentado?
O governo que está sendo concluído teve muitos avanços; a Educação avançou. Tivemos a construção de estruturas para atender a saúde no interior, mas acredito que o grande desafio que teremos de enfrentar no próximo governo é realizar um projeto de industrialização do Estado para gerar empregos, e para isso criaremos uma agência de desenvolvimento econômico para atrair empreendedores do Paraná e de fora, pois pretendemos, quando concluirmos nosso governo, ultrapassar o estado do Rio Grande do Sul (RS) em relação ao PIB. Além disso, vamos manter a qualidade que temos na agricultura, porque disso conheço e posso me comprometer com os agricultores de verdade, com compromissos concretos pela promoção da agroindustrialização e da industrialização no Estado. Por isso nossa parceria com a Dilma é importante, pois praticamente todas as obras de infraestrutura que nos são necessárias constam do PAC ou podem constar do PAC.
O senhor já foi questionado por ter ao lado partidos como o PT, que defendem movimentos como o MST, e agora aliados como o ex-governador Roberto Requião, seu desafeto na campanha de 2006. O que é mais trabalhoso explicar ao eleitor: compromissos com o setor ruralista, que o elegeu senador duas vezes, e com quem defende a reforma agrária, ou apontar as mazelas de um estado governado por quem agora lhe apoia?
Sou defensor da agricultura como segmento econômico e social, da agricultura familiar, do agronegócio, afinal de contas acho que nem deveria haver essa separação, porque todos são agricultores - eu sou um agricultor. Aliás, em plena formação da aliança com o PT, assinei a CPI do MST; estava para retirar meu nome e não o fiz, como não retirei quando assinei para investigar a corrupção do PSDB e fui expulso. O PT respeitou minhas convicções. A CPI ocorreu, o MST foi investigado, não se constatou nada e mantive minha assinatura. Creio que é infantilidade discutir direito de propriedade porque isso é constitucional, é obrigação. Não mudei minhas convicções para fazer alianças com o PT. O partido me procurou para me apoiar e aceita minhas convicções. Em relação ao Requião, ele reconheceu publicamente que cometeu injustiças quando fez os ataques (na campanha de 2006), mas cumpriu a obrigação: foi até o Ministério Público, que investigou minha vida toda e deu um atestado de honestidade e decência que carrego com muito orgulho. Portanto a postura do Requião me apoiando é do reconhecimento da injustiça que ele cometeu naquele momento.
A FOLHA fez um levantamento mês passado com os 399 municípios paranaenses, e em nada menos que 48,5% deles a falta da presença permanente da polícia foi relatada como problema na área de segurança. O que mais pesa na criminalidade: falta de efetivo ou de preparo dos policiais?
Cerca de 90% dos crimes praticados no Paraná tem uma origem: o uso da droga, especialmente o crack. A gente não pode, portanto, responsabilizar a polícia pela violência no estado, muito pelo contrário, temos que valorizar os policiais, recuperar o contingente que ao longo dos últimos anos foi sendo reduzido. Mas de nada adianta por 50 mil policiais nas ruas se não combatermos a causa da criminalidade, que é o uso da droga. Para isso estamos propondo alianças, parceria concretas com a Dilma, que já se comprometeu a colocar mais a Polícia Federal e mais o Exército na fronteira para impedir entrada de drogas e de armas. Vamos criar o batalhão de fronteira, para guardá-la melhor, mas também fazer um trabalho educativo nas escolas, onde pretendemos, com assistentes sociais e psicólogos, trabalhar fortemente a conscientização dos jovens com participação das famílias nesse mutirão contra as drogas e construir cinco clínicas de desintoxicação no estado, uma delas inclusive em Londrina.
Na área da Saúde, o levantamento da FOLHA apontou que em muitos municípios faltam até mesmo ambulâncias, e as que há, 75% não dispõem de aparelhos de UTI. É utopia pensar que, em quatro anos, se resolve um calcanhar de Aquiles desse porte?
A demanda por saúde cresce todos os dias. O que o governo que termina realizou, reformando e construindo 44 hospitais, foi um avanço, porque o que temos que ter no estado são 50 centros de especialidades que colocaremos para funcionar em prol da média complexidade, com equipamentos e recursos humanos eficientes. Para praticamente cada oito municípios vai ter um centro desse, o que significa que toda região será atendida. E temos ainda as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), que só serão realizadas e possíveis no Paraná com a parceria que nós poderemos ter com a Dilma. Com essa rede, mais os Hospitais Universitários, creio que a gente vai poder atender melhor a saúde pública.
Nos transportes, ao mesmo tempo em que o senhor propõe uma agência reguladora, por exemplo, propõe também que o Estado faça a revitalização rodoviária. Como as concessionárias serão cobradas a cumprir os contratos, sobretudo quanto à não duplicação da malha viária?
Farei uma auditagem de todos os contratos para levantar quais as obras e o cronograma que estava previsto. Com a agência reguladora constituída por usuários, concessionárias e Estado, vamos decidir se podemos remanejar as obras, conforme as prioridades, se podemos retirar as ações da Justiça, pois não estão trazendo resultados práticos, e estabelecer uma planilha mensal de faturamento das concessionárias, e, a partir dela, uma tarifa justa, que hoje não é.
Na Educação, o senhor propõe gradativamente o ensino em tempo integral, em áreas específicas, e, ao mesmo tempo, a autonomia também nos ensinos Médio e Fundamental. Em quatro anos é possível ambas as realizações de forma completa e efetiva?
Estamos propondo 700 escolas, é uma meta, é possível, o foco são comunidades mais carentes, para a gente levantar o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) delas a partir de um novo modelo com resultados práticos na inclusão social - e até 2014.
FICHA DO CANDIDATO
Nome de urna: Osmar Dias
Partido/coligação: PDT/A União faz um novo amanhã (PDT/PT/PMDB/PSC/PR/PCdoB)
Nome completo: Osmar Fernandes Dias
Data de nascimento: 10/05/1952
Local de nascimento: Quatá-SP
Estado civil: Separado judicialmente
Filhos: Daniela e Rebeca
Formação: Produtor rural e engenheiro agrônomo
Cargos públicos que ocupou: Presidente da Companhia Agropecuária de Fomento Econômico do Paraná (1983/1986); secretário Estadual de Agricultura nos governos Alvaro Dias e Roberto Requião (de 1987 a 1994); diretor e professor da Fundação Faculdade de Agronomia Luiz Meneghel, em Bandeirantes; senador no segundo mandato (eleito pelo PP, de 1995/2003 e, pelo PDT, de 2003/2010)
Já pertenceu a quais partidos? PMDB, PP, PSDB, e, desde setembro de 2001, PDT
Candidato a vice-governador: Rodrigo Rocha Loures (PMDB)
Patrimônio total: R$ 5.191.343,92
Estimativa de gasto máximo com campanha: R$ 42 milhões


