Osmar admite que operação sai
Patrícia Zanin
De Londrina
O senador Osmar Dias (PSDB), um dos mais ácidos críticos em relação à antecipação dos royalties, admitiu ontem, em entrevista à Folha, que a operação deve ser concretizada nas próximas semanas. Mantenho minha opinião pessoal de que os royalties não poderiam ser antecipados sequer por um dia, mas já que não se pode evitar um mal maior, pelo menos que seja um mal menor, argumentou, referindo-se às condições impostas pelo governo federal para a antecipação, que não satisfazem as reivindicações da equipe do governador Jaime Lerner (PFL).
O tucano não assume publicamente, mas, nos bastidores, as exigências do governo federal para autorizar a antecipação teriam sido reflexo de reivindicações de Osmar Dias junto ao governo federal. O senador empenhou-se pessoalmente na tentativa de evitar que a operação fosse concretizada. Há cerca de dois meses, reuniu-se com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e propôs que o governo vetasse a operação. O tucano argumentou que a antecipação compromete receitas e ignora o ajuste fiscal perseguido pelo governo. Outro encontro com Malan foi realizado antes disso. A antecipação pode sair, mas não da forma pretendida, analisou o tucano.
Osmar disse que as principais divergências são o prazo para a antecipação e a forma de sua destinação. Ele avalia como positivo o fato de o governo federal propor diluir os recursos dos royalties em 15 anos, enquanto o governo do Estado prega oito anos. Seria menos prejudicial, avaliou o tucano. O senador também está satisfeito com a proposta de evitar a emissão de títulos que seriam colocados à venda pelo governo do Estado para somente depois capitalizar a Paranaprevidência. O governo não ficaria com os títulos. Ia capitalizar direto a Previdência, analisou.
O secretário de Estado do Governo, José Cid Campêlo Filho, disse ontem que o governo tem pressa na operação dos royalties. Agora depende mais do governo federal do que de nós, afirmou. Ele admitiu, porém, que o governo do Estado quer ganhar tempo na antecipação. Se não houver uma capitalização correta, podemos nem fazer, afirmou.
Hoje, Lerner poderá se reunir com o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente. Oficialmente, o governador deve participar da reunião com o governo federal para discutir alternativas para conter prejuízos da Lei Kandir. Nos bastidores, Lerner tenta avançar na operação dos royalties.





