Os réus devolvem?
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quinta-feira, 07 de março de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
Os réus devolvem?
A Rodonorte, ao perceber que acrobacias jurídicas seriam inúteis, reconheceu a propina a agentes públicos e políticos para mudar contratos, e fez acordo de leniência de R$ 730 mi e se comprometeu a reduzir as tarifas nas quatro praças em que opera em 30% e a fazer as obras suprimidas. Aparenta em tudo o arrependimento eficaz se é que não deixou alguns caroços em todo esse angu.
Haverá esse comportamento por parte dos beneficiários? Por enquanto não, mesmo que as provas sejam cada vez mais contundentes, já que sua prioridade no momento é a defesa. De qualquer modo dá para perceber que os chunchos locais perdem dos de São Paulo e do Rio, esse o de maior capilaridade face ao generoso material colhido. Não ser o primeiro do ranking já tem um certo arzinho virtuoso.
A primeira
Londrina, que vive a lamentar sua perda de espaços em rankings de economia e os transforma em causa, ganhou o primeiro lugar num item normalmente mal praticado no Brasil - o da transparência. Classificação essa feita pela EBT (Escala Brasil Transparente) a serviço da CGU, Controladoria Geral da União entre as cidades mais transparentes do País. No ano passado Londrina havia saltado do 585% lugar para o 20º lugar e atingiu a nota de 9,95, a mesma de Serra, Espírito Santo.
Um feito enfim da comunidade na interação entre povo e instituições e que deve ser mantido com o máximo dos esforços. A cidade já viveu percalços sérios em episódios do passado que obrigaram, inclusive, as forças comunitárias a fazerem intervenções até mesmo na Rede Globo por causa da manipulação de informações em surpreendente mobilização que uniu igrejas, OAB, maçonaria no movimento "pés vermelhos, mãos limpas". O maior destaque no mais recente levantamento é o da transparência ativa de órgãos municipais que operam em sincronia com os da passiva, o que ressalta um ganho democrático.
Santa Bárbara
Com as chuvas intensas é testado, de forma radical, o sistema de drenagem das nossas cidades que se revelam para os políticos menos auspiciosos do que o asfalto, um elemento a mais de impermeabilização como se já não bastasse a floresta de pedra. Vem aí a procedência do dito popular de que só lembramos de Santa Bárbara quando ronca a trovoada. Como de resto isso se dá relativamente a outros problemas como o das barragens da Vale, viadutos sob ameaça e também nossas endemias que a despeito da frequência nem sempre têm a resposta devida como se vê nos casos de dengue, sarampo, febre amarela e agora, para espanto geral, na falta de regulação de estoques não só o de leite materna e sangue nos bancos especializados como de vacinas, como se dá agora, tristemente com a meningite.
Carná
Ontem o médico Paulo Mercer, companheiro de buteco, logo depois do julgamento das escolas de samba do Rio entrou gloriosamente com a camisa da Mangueira, atualíssima. E essa referência ao Carnaval fez lembrar que algo ocorrido em São Paulo já se deu aqui com escolas ligadas a times de futebol. Em Sampa "Mancha Verde", do Palmeiras, saiu em primeiro, e "Dragões da Real", da torcida do São Paulo, ficou em segundo, e a "Gaviões da Fiel", do timão lá embaixo. Aqui havia o "Não agite", do Coxa, e a "Colorado", do hoje Paraná.
O Carnaval não é aquilo que o presidente tuitou: ele é fator de fraternidade, expressamente contra formas de exclusão e por isso essencialmente democrático. Generalizar episódio isolado de perversão, ainda que válido como alerta, é confundir a árvore com a floresta.
Suspeição
A Lava Jato pediu a suspeição do ministro Gilmar Mendes à Procuradoria Geral da República em função de telefonemas detectados pela Polícia Federal junto ao senador Aloysio Nunes em suposta mediação favorável a Paulo Preto, a um dia da prescrição novamente condenado. Contactos com as partes, inclusive na apresentação de memoriais, permeiam relações entre advogados e magistrados, tudo isso protegido por uma ritualística, mas suspeitas de desvios de função acabam muitas vezes arguidas.
Pressão
Governo Bolsonaro está em plena ofensiva antissindical: além de mexer nos contratos coletivos que restabeleceram, por vias transversas, o imposto sindical, vai propor PEC de fim da unicidade sindical.
Praias
Parece incrível que ainda haja falsificação de terrenos nas praias do Paraná, apesar de a polícia ter posto a mão numa dessas gangues com um dos cabeças sendo funcionário da Controladoria de Matinhos. Como esse tipo de controle tudo opera ao contrário.
Folclore
Chic Chic, o palhaço imortal dos Queirolo, entrava em cena com a cachorrinha de pano e lhe dava ordens: "pula, Violeta, pula" e a fazia agitar-se como se atendesse ao comando. Quando o público o chamava de "careca", fazia trejeitos faciais em que eram visíveis ofensas à mãe de quem o havia provocado. A interação era imediata com a gargalhada geral.


