Os respingos da CPI no Paraná
Da Redação
- A CPI dos Títulos Públicos estaduais e municipais foi criada pelo Senado no dia 26 de novembro do ano passado. O requerimento pedindo a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito é de autoria do senador Jader Barbalho (PMDB-PA), na época líder do partido na Casa.
- A CPI foi instalada no dia 3 de dezembro, tendo como presidente o senador Bernardo Cabral (PFL-AM) e como relator o paranaense Roberto Requião (PMDB).
- Uma das primeiras polêmicas em torno da CPI foi registrada em meados de dezembro. No dia 13, o relator da CPI, senador Roberto Requião (PMDB-PR), acusou o presidente Fernando Henrique Cardoso de ter medo da CPI. Motivo: FHC não incluiu a CPI na pauta da convocação extraordinária do Congresso.
- Cerca de uma semana depois, Cabral e Requião solicitaram ao então presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), a inclusão da CPI na convocação extraordinária.
- Um dia depois, nova polêmica: o líder do governo no Senado, Élcio Álvares (PFL-ES), retirou a Comissão Parlamentar de Inquérito da pauta da convocação extraordinária e suspendeu seus trabalhos por um mês. Mas, no início de janeiro, líderes de partidos decidiram recolocar a CPI na pauta da convocação extraordinária.
- Fevereiro: o Banco Central decreta a liquidação extrajudicial de dois bancos, três corretoras e 10 distribuidoras de títulos e valores mobiliários, no dia 21. O ex-coordenador da Dívida Pública da Prefeitura de São Paulo, Wagner Baptista Ramos, é considerado o cérebro do esquema, que agia, segundo a CPI, com a colaboração dos bancos Vetor e Maxi-Divisa.
- Dois dias depois, o Paraná começa a ser citado pelo relator Roberto Requião. No dia 23, ele declara aos jornais: Pegamos o rabo do gato, agora vamos puxar com cuidado para tirá-lo da toca. Naquela data, a CPI havia divulgado uma lista de cheques da IBF Factoring, emitidos para sete pessoas e uma empresa paranaense, totalizando R$ 34 milhões. Os respingos da CPI atingem também a Copel.
- No dia 24, o governador Jaime Lerner afirma que a venda das ações da Copel não é assunto para a CPI dos Títulos Públicos. Lerner diz que o Senado não pode confundir a negociação de precatórios com a transformação de ações em investimento, como ocorria com a Copel.
- No dia 1º de março, o relator da CPI volta a cutucar o Paraná. Declara aos jornais que há fraude no Paraná, pois corretoras acusadas - IBF e Boavista - participaram do consórcio que operou no mercado financeiro com R$ 300 milhões em debêntures emitidas nos últimos anos pela Banestado Leasing.
- 5 de março: o governador Jaime Lerner acusa o relator da CPI, Roberto Requião, de envolver o Paraná no chamado escândalo dos precatórios para tirar proveito político. A acusação foi feita para um grupo de prefeitos, durante lançamento do programa Florestas Municipais.
- É aprovado o requerimento convocando o presidente do Banestado, Domingos Murta Ramalho, a depor na CPI. Murta, conforme o relator, teria que justificar a compra de títulos públicos emitidos irregularmente pelos Estados de Alagoas, Pernambuco e Santa Catarina.
- No dia 11 de março, novos respingos atingem o Paraná: o dono da corretora Boasafra, Fausto Solano Pereira, cita o nome do governador Jaime Lerner na CPI. A menção ocorreu quando Solano relatou aos senadores a proposta de criação de empresas de investimentos aos governadores Jaime Lerner e Paulo Afonso Vieira, este último de Santa Catarina.
- Na sexta-feira, 21 de março, mais respingos: o Banco do Estado de Rondônia (Beron) é tido como lavanderia do dinheiro de títulos emitidos irregularmente. Conforme a CPI, o Beron efetuou depósitos nas agências dos bancos do Brasil, Rural, Banespa, Unibanco, Bradesco e Banestado em Foz do Iguaçu, Cascavel e Londrina.





