''Os processos foram atropelados''
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sexta-feira, 10 de agosto de 2001
Lino Ramos<BR>De Londrina 
Jackson Testa reagiu indignado à decisão do governador Jaime Lerner (PFL) de afastá-lo do cargo. Sobraram críticas ao governo e também ao Conselho Universitário, que já tinha decidido afastá-lo, na quarta-feira. ''Os processos foram atropelados de maneira política. Nesses 30 anos da universidade, nem mesmo na época da ditadura, (isso) nunca aconteceu. O Conselho Universitário agiu como na Idade Média, através das inquisições'', disparou.
Testa disse que os conselhos de Administração e Universitário também tinham responsabilidade na aprovação do orçamento e nas contas da reitoria, porém teriam se omitido. Ele afirmou ainda que em nenhum momento a Comissão Especial lhe deu oportunidade para a defesa e apenas indicou irregularidades na UEL, ao contrário das comissões de sindicância que criou logo após a divulgação do relatório com as denúncias.
O reitor afastado também culpou o governo do Estado pela contratação da Mercer Propoganda, agência citada na lista de irregularidades administrativas encontradas pela comissão. A agência foi contratada em 1995 para atender a diversos órgãos do Estado por R$ 5,2 milhões. Segundo o relatório da comissão, por meio de um convênio com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, em 97 a Mercer passou a prestar serviços à UEL. Porém, parte dos serviços permaneceu terceirizado à Metrópole Propaganda, de Londrina.
''Talvez a situação da Mercer seja a mesma à do Conselho de Administração. Se existe alguma ilegalidade nas contratações das publicidades, convém ressaltar que esta empresa foi contratada pelo Governo do Estado, pelo senhor Jaime Lerner'', afirmou. ''O reitor está sendo punido injustamente. Não fui eu que contratei a Mercer e sim o governo do Estado'', alfinetou. A agência teria sido fechada há um ano.
O reitor afastado ainda ironizou a rapidez com que o governo optou pelo seu afastamento, lembrando da promessa não cumprida da liberação de verbas para o Hospital Universitário (HU). Para Testa, Lerner procurou tirar proveito político da crise na universidade. Segundo ele, em 96, durante a eleição do ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido), o governo assumiu o compromisso de liberação de recursos para reforma e ampliação do HU, ratificando a promessa em uma nota oficial. Porém, as verbas não foram liberadas até hoje.
''Lamentamos que o governador tenha agido, nesse caso, para tirar proveito político, de maneira tão rápida, e não agiu de maneira rápida para atender aquilo que era o mais essencial para a universidade, que era a verba do Hospital Universitário'', criticou. Ele disse ainda que o governo não deu direito de defesa e agiu fora da legalidade, sem aguardar a apuração dos fatos dentro das normas legais.
Nascido em 1948, Testa iniciou sua carreira na UEL em 15 de agosto de 1977, na função de auxiliar de ensino (professor), no Departamento de Economia do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (Cesa). Ele foi eleito reitor pela primeira vez em 6 de de abril de 94, tomando posse em 9 de junho daquele ano. Em 23 de abril de 98 foi reeleito, assumindo seu segundo mandato em 9 de junho de 98. Ele ficaria no cargo até junho de 2002.
A assessoria de imprensa do Palácio Iguaçu informou ontem à tarde que Lerner não vai polemizar com o reitor afastado.


