Brasília - Com a terceira maior bancada na Câmara e a primeira no Senado, o PMDB reivindica os ministérios da Integração Nacional e dos Transportes. É bem provável que fique com a vaga da Integração, pasta comandada por Ciro Gomes (PPS).
Elogiado publicamente por Lula, Ciro deve ser promovido, alçado ao chamado núcleo estratégico do governo. ''Ele joga junto e trabalha com a obstinação de servir o País'', afirma o presidente.
A nova tarefa do ministro, no entanto, é mantida em sigilo. Seu nome é muito citado para Planejamento - menina dos olhos de Lula -, hoje ocupado pelo economista Guido Mantega. Se isso ocorrer, Mantega poderá ir para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Nas cotas partidárias, estão na linha de tiro os ministros dos Transportes, Anderson Adauto (PL) - que assumiu o governo sob denúncias de irregularidades, ganhou fôlego e recentemente foi novamente acusado -e da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral (PSB), considerado inoperante. Aliado de primeira hora, o PL - partido do vice-presidente José Alencar - corre o risco de perder Adauto, mas não o ministério. Um dos citados para Transportes é o deputado Milton Monti (PL-SP), um ex-quercista.
Amaral é tão bombardeado por todos os lados que pode sair da equipe antes mesmo da reforma ministerial. Para o seu lugar está cotado o secretário de Ciência e Tecnologia do Rio, Fernando Peregrino (PSB), presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa. O problema é que ele é muito ligado ao ex-governador e secretário de Segurança do Rio, Anthony Garotinho. Mas conta com a bênção do presidente do PSB, Miguel Arraes.
A incógnita fica por conta da situação do ministro das Comunicações, Miro Teixeira (PDT). Toda a bancada do PDT na Câmara, composta por 14 deputados, votou contra o governo na reforma da Previdência. Rompido com o cacique Leonel Brizola, Miro já passou por turbulências no início do governo, mas recuperou seu prestígio. Além do mais, sua vaga é da cota pessoal de Lula, e não do PDT.
Para dar espaço aos novos parceiros, porém, o Planalto poderá precisar da cadeira de Miro. Uma possibilidade é o seu remanejamento para outra pasta. ''Os petistas exigem muito sacrifício de seus aliados, mas não dão nada a ninguém nem dividem as decisões'', queixa-se o líder do PTB na Câmara, Roberto Jefferson (RJ), que comanda uma das mais fiéis bancadas governistas, com 78% de votos favoráveis à reforma. ''Não há uma boa divisão do poder: o PT está com muita coisa e os aliados vão acabar sem nada.''
Nas fileiras do PC do B, o líder do governo na Câmara, Aldo Rebelo (SP), bem que tentou, mas não conseguiu evitar a traição de 63,6% da bancada na hora do voto. A represália, neste caso, não virá. ''Se não fosse por ele, a situação seria ainda pior'', admite o deputado Professor Luizinho (PT-SP), da tropa de choque governista. Além do mais, o PC do B só tem um ministro: Agnelo Queiroz, do Esporte. Que, diga-se de passagem, não é objeto do desejo de ninguém no mundo político.

mockup