Jader Barbalho afirmou ontem que sua saída do cargo foi fruto da campanha presidencial. ‘‘Por trás de tudo isso está a sucessão. Interesse de diminuir o PMDB’’, afirmou o senador, que comparou sua situação atual, por causa das diversas acusações em que tem sido alvo, à injustiça sofrida por Jesus Cristo.
‘‘Ninguém está livre disso, nem eu, nem vocês e nem mesmo Jesus’’, afirmou. ‘‘Os fariseus da época (de Jesus) ainda existem.’’ O senador chegou ontem a Belém, de onde seguiu para o balneário de Salinópolis, onde pretende ficar com a família nos próximos dias.
Jader preferiu não comentou as trocas de notas entre ele e o Banco Central sobre as irregularidades, mas deixou claro que não recebeu qualquer tipo de apoio do Palácio do Planalto. Também não tem confirmou ter recebido a solidariedade ou mesmo o isolamento de Fernando Henrique ’’ O único abandono que não permitiria seria de minha mulher. O restante não passa de especulação’’, afirmou.
Jader negou que tenha se licenciado depois de um acordo político. ‘‘A minha decisão foi pessoal, não partidária. Saí para não criar qualquer tipo de constrangimento nas investigações’’, afirmou o senador, ressaltando que não deixou sua vaga porque o Pará não poderia ficar sem um representante, apesar de seu pai, Laércio Barbalho e seu ex-secretário Fernando Ribeiro, serem seus suplentes.
Jader lembrou que, apesar de ter sido alvo de inúmeras denúncias de irregularidades durante seus dois governos e quando foi ministro da Reforma Agrária, nunca respondeu a nenhum processo. ‘‘Espero que sejam materializadas as acusações nos 60 dias, pois até agora é só conversa fiada. Aí ficará provado que sou vítima de uma campanha orquestrada ao longo de um ano e cinco meses, sem que conseguissem provar.’’
O senador chegou no meio da tarde a Belém, mas preferiu não revelar por onde andou durante as 48 horas que antecederam seu pedido de licença do Senado. ‘‘Andei por São Paulo e Brasília’’, limitou-se a dizer Jader. ‘‘Fico sensibilizado de notarem minha ausência.’’

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