Prefeitura fechada, linhas telefônicas cortadas, salários em atraso, frota sucateada. Essa é a realidade de Ortigueira, segundo o prefeito eleito Geraldo Magela (PSDB), 60 anos. Ele explicou que todos os dados contábeis de 2004 foram deletados dos computadores municipais, impedindo a implantação do orçamento deste ano. ''Sem os dados do ano passado, não temos como abrir o orçamento. Não posso pagar os funcionários, nem contas atrasadas ou planejar ações para este ano'', relatou Magela.
O prefeito enumerou que há mais de R$ 100 mil em restos a pagar referente à folha de pagamento de dezembro dos servidores e que todas as linhas telefônicas da prefeitura estão cortadas. ''Não posso pagar os funcionários porque não posso emitir ordem de pagamento pois não tenho a contabilidade'', explicou. Conforme ele, os contatos da prefeitura estão sendo feito por celulares particulares, quer dele próprio, do vice ou de secretários. ''Quero ver o tamanho da conta e quem vai pagar'', alertou Magela.
O sucateamento da frota é outra dor de cabeça para o atual prefeito. Ele disse ter colocado os veículos em exposição em uma avenida da cidade. ''Eles estão expostos para que o povo tenha conhecimento do estado desses veículos'', justificou. Não bastasse isso, o prefeito destacou que todo o quadro de médicos, dentistas e agentes de controle da dengue e mosquito barbeiro foram exonerados do cargo pela ex-prefeita Marlene de Oliveira Mattos de Pádua (PRP). ''Não foi renovado o contrato com nenhum médico ou dentista. Estamos dando um atendimento emergencial porque a saúde é direito de todos'', salientou Magela. Conforme ele, dois médicos fazem plantão no posto de saúde municipal e os casos mais graves são encaminhados para outras cidades.
O prefeito disse ter pedido a abertura de um inquérito policial para apurar as falhas na antiga administração. De acordo com ele, a ex-prefeita se recusou a receber uma notificação do Cartório de Títulos e Documentos objetivando a recuperação dos dados contábeis da prefeitura.
As dificuldades refletem diretamente na população, que terá que aguardar por obras e melhorias. ''Não tenho como pensar em projetos porque para fazer um planejamento tenho que conhecer os dados da empresa. Se o Governo Federal me oferecesse um convênio e eu tivesse que dar uma contrapartida, não poderia firmar porque não sei se tenho dinheiro para isso'', desabafou Magela. Ele argumentou ainda que o orçamento aprovado pela câmara para este ano não prevê nenhum percentual para remanejamento. ''Dentro da minha visão, o orçamento aprovado é carente das prioridades do município'', avaliou.
Os vereadores serão os responsáveis por aprovar alterações no orçamento solicitadas pelo Executivo. Rosilda Aparecida Siqueira (PP) foi eleita presidente da Casa. Ela também ocupou a cadeira da presidência entre 1997 e 2000, quando Magela administrou a cidade.

* Na segunda-feira, saiba como está a situação em Cascavel

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