Carmem Murara
De Curitiba
O dono da casa de câmbio Ortega Turismo, Laurindo Ortega, negou ontem qualquer envolvimento com o narcotráfico. A sua empresa e outras 10 no Estado estão sob a mira da investigação dos membros da CPI do Narcotráfico, que anteontem pediu a quebra do sigilo bancário de cada uma delas. Ortega diz que há seis meses não trabalha mais com compra e venda de dólar e que o nome de sua empresa apareceu na lista do Banco Central após uma irregularidade cometida por um funcionário e não por lavagem do dinheiro do narcotráfico.
Segundo o empresário, um de seus empregados teria vendido dólares além do limite permitido por lei, o que obrigou o Banco Central a cassar o registro de funcionamento da casa de câmbio, que funciona há 50 anos em Foz do Iguaçu. ‘‘Cometemos uma falha e por isso estamos somente com as vendas de passagens e com o turismo’’, afirmou ontem, em entrevista por telefone à Folha de Londrina/Folha do Paraná. Ele disse que está tranquilo e pretende responder a todos os questionamentos se for chamado pela CPI.
As empresas de Foz levantaram a suspeita da CPI do Narcotráfico por estarem na fronteira com o Paraguai, porta de entrada para a lavagem de dinheiro e para o tráfico de drogas. Além da Ortega, estão sob investigação a Dick Câmbio e Turismo, Coan Câmbio e Turismo e a Hollidays Tur. A Folha tentou contato com as demais empresas, mas os telefones não atenderam durante a tarde de ontem.
O telefone da Dick não é divulgado no serviço de auxílio à lista telefônica a pedido do cliente. A empresa pertencia a um argentino, que fechou suas portas em Foz do Iguaçu e teria se transferido para a cidade de Porto Iguaçu, na Argentina. Já a Holliday é considerada uma das grandes agências de turismo na cidade, mas não há informação se ela continua a operar com a venda de dólar. A empresa teria enviado ao exterior R$ 1 milhão nos últimos anos. A Folha não conseguiu contato com a empresa. Um dos telefones que a CPI tem como sendo da agência é, na verdade, um telefone residencial.
Além das casas de câmbio que atuam em Foz do Iguaçu, há outras duas em Curitiba. A Casa de Câmbio Latino mudou de nome e se chama Latino Turismo e Representação. A outra empresa é a Guan Câmbio e Turismo. Há ainda a AG Turismo de Londrina – cujo fundador já negou à Folha qualquer envolvimento com irregularidades investigadas pela CPI.
Segundo informações apuradas pela CPI, a maioria das casas de câmbio suspendeu as operações quando foram consideradas suspeitas. As operações estariam se concentrando em duas agências, cujos nomes ainda são mantidos em sigilo. Uma das empresas estaria no Rio de Janeiro e outra no Paraná.
Outra casa de câmbio que apareceu na lista dos suspeitos é a Ane Agência de Turismo de Foz do Iguaçu. A empresa estaria em nome de Amar Soied, um empresário que teria remetido ao exterior R$ 6 milhões através das contas CC5.
A CPI tem uma lista de agências que estariam servindo ao narcotráfico nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. A movimentação de dólares teria sido de US$ 30 bilhões por ano. Os empresários destas empresas deverão ser chamados para depor na CPI, mas ainda não há data definida.

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