Brasília - O ministro do Esporte, Orlando Silva, confirmou ontem que deixou o cargo. Ele pediu demissão após reunião com a presidente Dilma Rousseff no fim da tarde. Segundo ele, a saída foi uma medida para salvar sua honra. ''A melhor solução seria eu me afastar do governo'', disse durante entrevista coletiva na saída do encontro. Orlando disse ainda que só responderia três perguntas porque precisava ''bater parabéns'' para Dona Vanda, sua mãe.
Segundo o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral), ao menos por enquanto o ministério deve ser comandado por um interino. O secretário-executivo do Ministério do Esporte, Waldemar Manoel Silva de Souza, é quem deve ficar interinamente no cargo. Carvalho não revelou quem são os possíveis substitutos de Orlando, mas disse que o ministério deve continuar sob o comando do PCdoB.
Orlando é suspeito de participação num esquema de desvio de recursos do programa Segundo Tempo, que dá verba a ONGs para incentivar jovens a praticar esportes. A acusação foi feita à revista ''Veja'' pelo policial militar João Dias Ferreira. Após pedido feito pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, na semana passada, o Supremo Tribunal Federal (STF) abriu um inquérito para investigar o caso. Na avaliação do Planalto, a decisão do STF agravou a situação do ministro.
E no mesmo dia em que o ministro do Esporte perdeu o emprego, o seu acusador mais veemente desistiu de fazer as denúncias contra ele na Comissão de Fiscalização e Controle na Câmara. O policial militar João Dias Ferreira disse que a sucessão de acusações de fraudes em convênios no ministério fizeram com que seu depoimento não fosse mais necessário e cancelou na última hora sua presença.
''Considero que os últimos acontecimentos referentes à crise no referido ministério esvaziaram o propósito de meu comparecimento perante esta ilustre comissão. Desde o início, coloquei-me à disposição para expor detalhes do esquema do qual fui, juntamente com a população brasileira, uma vítima'', afirmou ele em carta enviada ao presidente da comissão, deputado Sérgio Brito (PSC-BA).
A desistência do delator provocou reação de deputados do PCdoB, partido de Orlando Silva. ''O acusador mostra que não tem provas. Não está aqui porque não tem provas, assim como não teve provas para levar à Polícia Federal'', disse o líder na Câmara, Osmar Júnior (PI).
A oposição mostrou-se decepcionada com a ausência. Deputados do PSDB e do DEM passaram a usar em relação a João Dias Ferreira o mesmo adjetivo utilizado pelo ministro, o de ''bandido''. O policial é acusado de desvio em convênios com o ministério e a pasta cobra ressarcimento de cerca de R$ 3 milhões aos cofres públicos. Os oposicionistas ressaltaram, porém, que a situação delicada de Orlando não se devia apenas a essa denúncia, mas à sucessão de notícias de desvios e irregularidades em convênios da pasta.

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