Orlando Bonilha é cassado por 18 votos
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sábado, 31 de maio de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Reeleito com 4.462 votos em outubro de 2004, Orlando Bonilha (PR) se tornou ontem o segundo vereador da Câmara Municipal de Londrina, nos 72 anos da instituição, a ter o mandato cassado pelo plenário. Por unanimidade dos 18 parlamentares, Bonilha foi julgado por quebra de decoro parlamentar na sessão especial que durou pouco menos de duas horas e à qual não compareceu nenhum de seus seis advogados. O último vereador cassado no Legislativo municipal fora Paulo Sérgio Ferreira (então no MDB, atual PMDB), em 3 janeiro de 1980, na decisão que acabou revertida depois pela Justiça. Se o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) assim o determinar, em cumprimento à lei federal 64/90, Bonilha pode perder os direitos políticos e ficar inelegível por oito anos.
O plenário acatou o relatório apresentado na terça-feira passada pela Comissão Processante (CP) instalada dia 11 de março contra Bonilha. Os trabalhos da comissão foram respaldados pela denúncia que, acatada no dia 6 daquele mês pela Mesa Executiva, fora apresentada à Casa dias depois da prisão do então vereador Henrique Barros (sem partido), em 10 de janeiro, com R$ 9,9 mil supostamente oriundos de propina. Em depoimento ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Barros declarou, naquele dia, que Bonilha seria o chefe de um esquema de corrupção existente na Câmara e que contaria também com os vereadores (atualmente afastados pela Justiça) Flávio Vedoato (PSC), Osvaldo Bergamin (sem partido) e Renato Araújo (PP). Mesmo assim, a Comissão de Ética entendeu não haver elementos suficientes para enquadrar todo o grupo, réu na Justiça Criminal em processo de formação de quadrilha e concussão, na investigação por quebra de decoro. Todos haviam sido alvos da denúncia protocolada na Câmara em 8 de fevereiro pelo caminhoneiro Marcos Antônio Frasson, morador do Jardim Santa Rita (Zona Oeste).
Na sessão de ontem, poucas pessoas acompanharam o julgamento eram pouco mais de 50 nas galerias, no início da manhã, e 90, ao final do processo de votação nominal. Dos 18 parlamentares que tinham direitos a usar a palavra sem apartes ou cessão de minutos a colegas, durante o julgamento, se restringiram a falar o presidente da CP, vereador Tercílio Turini (PPS), e vereadores ditos de oposição Marcelo Belinati, Fernando Nicolau e Antenor Ribeiro, todos do PP do deputado estadual Antonio Belinati. Foi com o voto de Bonilha, na cassação de junho de 2000, que o então prefeito Belinati também viu naufragar os direitos políticos por oito anos. Na mensagem lida em plenário, o sobrinho do deputado se disse solidário ao ex-colega de plenário e aos familiares deste, alegou estar em situação desconfortável e sugeriu: Bonilha, não omita o nome de alguém que porventura também tenha participado desse processo de corrupção.
Após a votação, o presidente da Câmara, vereador Sidney de Souza (PTB), assinou a resolução que estabecele a cassação do terceiro mandato de Bonilha e suspende os efeitos da renúncia apresentada por ele em 20 de março. Questionado depois se o esquema de corrupção no Legislativo chegou ao fim, Souza respondeu: Estamos sujeitos à fiscalização da comissão de ética e do Ministério Público, e se foi apontada incompatibilidade com o decoro que somos obrigados a cumprir, tanto vereadores quanto assessores e servidores efetivos serão processados, concluiu. Para o presidente da CP, contudo, a crise ainda não chegou ao fim. Hoje (Ontem) demos uma resposta esperada à crise, mas acredito que ela ainda se arraste por mais alguns meses por conta de outros processos na nossa Corregedoria. Não nos livramos disso ainda, admitiu.


