Origem dos recursos é pública, diz especialista
Curitiba - Os recursos que mantém os partidos políticos no Paraná vêm de fontes diversas. No entanto, na origem, todas são abastecidas por dinheiro público. A opinião é do cientista político Fabrício Tomio, professor da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR). ''As empresas que doam para os partidos são sempre de áreas que são interessadas no setor público, como a construção civil e bancos'', aponta. ''Muitas tem contratos com o Poder Público e fazem doações com os ganhos que obtém a partir desses contratos'', completa.
Não se trata de uma manobra ilegal, destaca Tomio. Mas que configura um ciclo de circulação do dinheiro na política. ''No caso brasileiro, a política é controlada pelos partidos. Esse tipo de regulação beneficia quem tem mais representatividade, e que acaba recebendo mais recursos'', explica. ''Como os maiores partidos também tem maioria no Congresso, eles criam leis que beneficiam eles mesmos'', aponta.
É o caso das leis que regulamentam a distribuição do fundo partidário, que reservam as maiores parcelas para as agremiações com maior representatividade na Câmara. As grandes legendas também atraem mais doações de empresas. E, como elegem mais pessoas, recebem mais contribuições de filiados e parlamentares.
Essa característica, no entanto, não é só da política brasileira. ''É um formato que vemos também na Europa, por exemplo'', diz. ''Mas no caso brasileiro nem é uma situação tão grave porque o maior partido do país não tem nem 20% das cadeiras no Congresso'', conclui. (R.C.F.)





