Brasília - As estatísticas sobre a má conduta de funcionários públicos somente neste ano 150 pessoas envolvidas em atos de corrupção foram presas levaram o governo a adotar medidas mais rígidas a partir de 2004. Todos os órgãos da administração federal terão corregedorias internas para verificar atos ilícitos. Além disso, a União está preparando um projeto para dilatar os prazos da quarentena de ex-funcionários públicos que deixarem a administração. ''O que existe hoje é de uma ineficácia absoluta. É, na verdade, um período de férias para quem deixa o governo'', diz o ministro Waldir Pires, controlador-geral da União.
Os números do governo são preocupantes, segundo relatórios da Controladoria. Dos 140 processos disciplinares analisados este ano, pelo menos 110 resultaram em demissão. Um índice pequeno, considerando que em 2002 mais de 330 funcionários públicos foram demitidos. Nos últimos três anos, o ranking de demissões foi encabeçado pelo Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), que tirou de seus quadros, sem direito a retorno na administração, 157 pessoas, seguido pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), com 60; Ministério da Fazenda a maior parte da Receita Federal com 57; Polícia Rodoviária Federal (PRF), com 45 e a extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), com 38 demissões.
Foi depois de instalar informalmente um serviço de inteligência dentro da própria instituição que a Polícia Federal conseguiu descobrir que alguns de seus integrantes estavam envolvidos em corrupção. O primeiro resultado deste trabalho surgiu em março de 2003, quando 22 agentes foram presos, mas ainda não demitidos. Dois deles já tinham sido afastados anteriormente, mas voltaram por meio de medida liminar. Pouco depois, outros 11 agentes da ativa e dois aposentados foram presos no Rio de Janeiro, também acusados de corrupção.
No projeto que a CGU está planejando, os titulares das corregedorias terão dois anos de mandato e serão subordinados não apenas ao ministro da área, mas também ao controlador-geral da União. Já no início do ano, o Executivo vai enviar ao Congresso um pacote de projetos que torna mais rígida a aplicação da quarentena. A proposta vai redefinir o período em que ex-funcionários possam trabalhar em empresas privadas ligadas ao setor em que atuou dentro do governo.

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