De todos os homens do presidente, Luiz Gushiken e Marco Aurélio Garcia são dois antigos colaboradores petistas dados como certos para integrar o comitê do segundo mandato. Lula procura agora um substituto para José Dirceu (PT-SP), o ex-todo-poderoso chefe da Casa Civil e hoje deputado à beira da cassação que, em 2002, foi o coordenador-geral de sua campanha. Na época, Dirceu era também o comandante do PT. Mas o presidente começou a dar sinais de que, por todos os percalços enfrentados pelo PT -, atingido em cheio pelo escândalo do mensalão - seria mais prudente pôr na coordenação do time alguém que não estivesse na linha de frente do partido.
Pelo figurino desejado, com perfil de articulador político, o nome mais lembrado é o do ministro das Relações Institucionais, Jaques Wagner. Para chefiar o programa de governo, fala-se em Tarso Genro.
As sondagens preliminares vêm sendo feitas muito reservadamente. ''É fundamental que se constitua um núcleo de articulação político-partidária'', afirma o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP). ''Estamos entrando num ano eleitoral e é importante fazermos o mapeamento dos Estados, o diagnóstico do potencial eleitoral, das alianças e o perfil das candidaturas, até para definirmos nossa estratégia. Todos os outros partidos têm feito consultas e nós só estamos esperando a transição no PT.''
Amigo de Lula, Gushiken só não irá para o comitê da reeleição se não quiser. Ele deixou o cargo de ministro-chefe da Secretaria de Comunicação do Governo (Secom) há três meses, no auge da crise, para se refugiar no Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE). Mas Lula considera que Chininha, apelido dado por ele ao companheiro, está ''mal aproveitado'' e já planeja puxá-lo para o núcleo da reeleição.
Assessor especial para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio é outro auxiliar considerado indispensável nesse comando estratégico. Lula também quer no time o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes (PSB), até agora o único de fora do PT, e o secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci.
Tarso diz que o tema programa de governo começará a ser debatido na próxima semana. ''Queremos encaminhar a reeleição fundamentada num modelo de desenvolvimento que avance na distribuição de renda e na recoesão social'', argumenta. (V.R.)

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