Criada há apenas quatro meses, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar no Sul do Brasil (Fetraf-Sul) já possui bases em 245 municípios dos três Estados da região, reúne 140 sindicatos, que representam 300 mil famílias de pequenos produtores rurais. Ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a outras entidades de esquerda e com projeto de nacionalização, já representa uma ameaça à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), vinculada ao meio patronal rural.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a agricultura familiar representa 91% dos estabelecimentos agropecuários do Sul, envolve 904 mil famílias, ocupa 44% da área destinada à agricultura, mas responde por 57% da produção do setor. De acordo com a Fetraf, cada R$ 395,00 investidos na agricultura familiar mantêm um posto de trabalho, enquanto na agricultura patronal são necessários R$ 1.844,00.
A caravana visitou mais de uma dezena de propriedades e comunidades rurais. Conheceu iniciativas bem-sucedidas em áreas como diversificação de culturas, produção sem adubos químicos ou agrotóxicos, uso de ervas, cascas e raízes de plantas na cura de doenças de seres humanos e animais, cooperativas de produção e crédito e agroindústria familiar.
‘‘Tivemos um impacto altamente positivo. São experiências ambientalmente corretas e que têm viabilidade econômica, não são romantismo de esquerdistas’’, afirmou à Folha Altemir Cortelli, secretário nacional de formação da CUT, diretor da Fetraf e coordenador da caravana. Segundo ele, com adaptações, as experiências conhecidas no Sul poderiam ser transformadas em políticas públicas de incentivo à agricultura familiar em todo o País.
Segundo Tortelli, os objetivos da caravana foram conhecer a realidade da agricultura familiar, apresentar propostas de política agrícola e estabelecer um novo sindicalismo no meio rural.
(V.D.)

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