Organizações demonstram surpresa e contestam TC
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sábado, 07 de julho de 2001
De Curitiba 
Presidentes de entidades filantrópicas do Estado incluídas na lista do TC ficaram surpresos com a notícia de que não vão receber a certidão negativa. O presidente do Conselho Regional de Psicologia, Vinício Oscar Kirchner, encaminhou os documentos na sexta-feira. Em 1998, ele disse que o conselho mudou sua sede em Curitiba, mas a notificação do tribunal foi enviada para o endereço antigo. Como ninguém da direção da entidade teve chance de receber a correspondência, o aviso voltou para o TC, o que prejudicou a movimentação do conselho para providenciar a prestação de contas dos recursos estaduais.
Em âmbito federal, o presidente do CRP disse que os balanços financeiros sempre foram encaminhados ao Tribunal de Contas da União, que nunca detectou irregularidades. Somos uma autarquia federal. Prestamos contas ao Conselho Federal de Psicologia, que por sua vez encaminha os números de seus (conselhos) regionais ao TCU. Nossas contas sempre foram aprovadas, detalha. Kirchner prevê que, em 20 dias, vai ter o nome do conselho retirado da lista do TC.
O presidente da União Paranaense dos Estudantes (UPE), Madson de Oliveira, disse que foi surpreendido pela notícia de que havia uma pendência no Tribunal de Contas. É uma novidade, não estava sabendo. Terei de verificar, disse. Já o presidente da Associação Cultural e Esportiva de Londrina, Issamo Suzuki, contou que sabia da existência de uma pendência junto ao TC. Ele não soube precisar qual a verba que deixou de ser especificiada na prestação de contas da entidade, mas disse que o dinheiro pode ter saído do governo do Estado entre os anos de 1993 e 94. Recebemos várias verbas do Estado, mas não sei precisar qual delas ficou pendente. Se souber, a gente vai procurar regularizar, diz Suzuki.
Segundo a assessora da diretoria do Instituto do Câncer de Londrina, Mara Fernandes, não houve prestação de contas sobre os R$ 387 mil porque o dinheiro veio de uma associação de funcionários do Banestado, que ajudou na aquisição de um tomógrafo. Isto ficou para trás porque a gente não sabia que a informação era necessária. O dinheiro veio de uma associação e não do banco, justifica Mara. Estamos tomando as providências no TC para resolver o mais rápido possível.
O gerente institucional da Associação Comercial e Industrial de Maringá (Acim), Sérgio Gino, contou que a entidade ganhou da Casa Civil, em 1990, uma verba de CR$ 200 mil para custeio de uma feira das indústrias do município. Na época, não tivemos orientação do repassador da verba para fazer a prestação de contas, diz. Como a documentação contábil fica arquivada por cinco anos, o gerente afirma que a Acim não tem condições de reunir os papéis para comprovar a aplicação do dinheiro. Somente fomos informados pelo TC dez anos depois. Nesse caso, o ônus da prova cabe a eles. Se eles estão nos notificando, é um sinal que eles têm a documentação lá no tribunal. Estamos aguardando um parecer. A Folha não conseguiu contato com a direção da UNE, em São Paulo. (D.V.)


