Alguns dos denunciados fazem parte do chamado "núcleo dos combustíveis", que pagou propina de R$ 16 mil a policiais rodoviários do posto de Iguaraçu, que fica na PR-317 e pertence à 4ª Companhia da Polícia Rodoviária, com sede em Maringá (Noroeste). Os policiais, que não tiveram os nomes revelados, apreenderam um caminhão que transportava combustível possivelmente adulterado e sem o recolhimento devido de ICMS. O fato ocorreu em 31 de dezembro de 2014, quando os policiais exigiram R$ 10 mil do motorista, Bruno Enko Andreatta, funcionário da Shark, transportadora que pertence Rafael Bernard Gineste. A carga havia saído da Big Petro, distribuidora de combustíveis de Londrina que, de fato, é de Paulo Midauar, mas tem como "laranja" Stefan Ruthschilling. Midauar já é réu na denúncia de fraude na contratação emergencial da Providence e tem pelo menos outras duas empresas gerenciadas por "laranjas".
Enquanto os policiais exigiam propina para liberar a carga, os telefonemas entre os integrantes da organização criminosa eram monitorados pelo Gaeco. A primeira ligação foi feita às 11h20 por Gineste a Ednardo Paduan, gerente da Big Petro, e a última, perto das 17 horas, quando o caminhão e o motorista haviam sido liberados, após o pagamento da propina. Parte do dinheiro – R$ 6 mil – foi levada aos policiais por Antonio Belini Filho, a pedido do grupo. Ele também havia sido incumbido de negociar um desconto, mas os Pms não aceitaram. Mais tarde, outra pessoa contatada pelo grupo, Roberto Della Torre, levou os R$ 10 mil, deixando os policiais rodoviários em vantagem. "Desta forma, os policiais solicitaram R$ 10 mil de propina, mas a organização criminosa lhe repassou, por conta do desencontro de informações, o valor de R$ 16 mil", informa o inquérito.
Na cota da denúncia oferecida ontem, os promotores requerem providências à Polícia Militar Rodoviária acerca dos policiais corruptos de Iguaraçu. Todos os demais envolvidos no chamado "núcleo do combustível" foram denunciados. (L.C.)

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