Orçamento racha oposição
Leandro Donatti
De Curitiba
A proposta do governo, de se valer dos recursos obtidos com a privatização da Copel para cumprir as emendas dos deputados ao orçamento do Paraná para 2000, dividiu a oposição. O Grupo dos 13, que na semana passada recusou a oferta feita pelo secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, voltou a se reunir para rediscutir uma posição. A questão não está fechada e alguns dos deputados de oposição não descartam a possibilidade de aceitar o dinheiro da Copel para levar recursos a seus municípios.
Isso (valer-se do dinheiro da Copel) não tira o nosso discurso (contra a privatização das estatais). Não estou barganhando nada com o governador Jaime Lerner. Existe uma lei (aprovada pela Assembléia Legislativa) que reserva 30% do bolo da privatização para investimentos em obras. O governo não é o Lerner, mas uma instituição, afirmou José Maria Ferreira (PSDB).
Junto com ele, comungam de posição semelhante Luciana Rafagnin (PT), Ademir Bier (PMDB), Edson Strapasson (PMDB) e Nereu Moura (PMDB). A postura de Luciana e de José Maria surpreendeu a cúpula dos 13 deputados da oposição. O mesmo não ocorreu com os outros, apontados como de tendência governista.
Waldyr Pugliesi (PMDB), Orlando Pessuti (PMDB), Ângelo Vanhoni (PT) e Edgar Bueno (PDT) anteciparam posição contrária ao grupo se valer do dinheiro da Copel. Eles usaram o mesmo discurso adotado na semana passada. Pugliesi foi o mais ácido. Disse que é ilógico a oposição beber dessa fonte (Copel) e que a oposição não pode entrar nesse processo fisiológico comandado pelo governo Lerner. Não me submeto a esse tipo de jogo até porque acho que o Lerner não vai cumprir emenda nenhuma e que vai dar uma banana para todo mundo, disse Pugliesi.
A oposição vai pedir nesta semana uma reunião com o presidente da Assembléia, deputado Nelson Justus (PTB). Os deputados pretendem anunciar a decisão de ontem e reforçar pedido a Justus para que ele interceda junto ao governo do Estado e garanta que a fonte dos recursos para o cumprimento das emendas não seja a privatização da Copel.





