Brasília - O Orçamento da União não está só provocando brigas entre oposição e governo e também não é uma discussão que terminará com a votação da proposta pelo plenário do Congresso. Até 25 de março, os líderes partidários na Câmara e no Senado terão que chegar a um acordo para a formação da nova Comissão Mista de Orçamento, respeitando a exigência de renovação completa de seus integrantes, prevista na Resolução 01/2006.
A sucessão na comissão está causando uma briga interna no PT e uma disputa entre petistas e peemedebistas. Na semana passada, o deputado Carlito Merss (PT-SC) apresentar seu nome ou o do colega Jorge Bittar (PT-RJ) para a presidência da comissão. Em vão. Foi informado, durante reunião da bancada, de que a tendência Movimento PT ocuparia a vaga, provavelmente com o deputado Geraldo Magela (PT-DF). O clima esquentou. Merss não aceitou a indicação e disse que seu grupo, Construindo um Novo Brasil, saiu perdendo na distribuição dos principais cargos do Congresso. Ameaçou até lançar uma candidatura avulsa à presidência para disputar com Magela. ''Estamos em desvantagem'', protestou.
Magela reagiu. ''Se a presidência da Comissão de Orçamento vier para o PT, nós do Movimento PT queremos, mas não coloco meu nome. Não sou o primeiro da lista. O cargo na Comissão do Orçamento não é do Campo Majoritário'', afirmou, referindo-se ao antigo nome do grupo de Carlito Merss.
Ele lembrou, no entanto, que a primeira negociação não é entre os petistas, mas do PT com o PMDB, que também reivindica a presidência da Comissão de Orçamento. ''O diálogo com o PMDB terá que ser equilibrado, para lá na frente equilibrarmos também a sucessão na presidência da Câmara e do Senado'', concordou, diplomático, o líder do PT na Câmara, Maurício Rands (PE). ''Mas cada dia com sua agonia.''
Data marcada
A batalha do momento é a votação da proposta de Orçamento, prevista para quarta-feira, se não houver mais adiamento. Na semana passada, a sessão do Congresso foi adiada duas vezes por falta de acordo com a oposição.
''Vamos votar de qualquer maneira, com acordo ou sem acordo'', avisa a líder do governo no Congresso, senadora Roseana Sarney (PMDB-MA). O clima tenso rendeu até um bate-boca entre ela e o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) quinta-feira, na reunião de líderes que buscava um acordo para a votação. Votação sem acordo significa um longo embate em plenário. Na terça-feira, oposicionistas e governistas farão uma última tentativa de entendimento, embora as duas partes reconheçam que seja quase impossível.

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