Curitiba - Ao contrário do governo federal, que optou por cortar previsões no orçamento para 2009 em função da crise econômica internacional, o governo estadual preferiu manter suas estimativas de receita para o próximo ano. Ontem, os deputados aprovaram, em primeiro turno de votação, a proposta de Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2009, que define uma previsão de receita e de despesa no valor líquido de R$ 23,5 bilhões aproximadamente. O valor é o mesmo previsto na proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2009, aprovada pelo Legislativo no primeiro semestre, ou seja, quando a crise financeira mundial ainda não tinha tomado corpo.
Segundo o peemedebista Nereu Moura, relator da proposta na comissão de Orçamento da Casa, se eventualmente ocorrer uma redução na arrecadação, o governo ''deverá fazer cortes nos investimentos''. ''Não dá para cortar em saúde, em educação. Tem que cortar em obras, em investimentos'', disse. Os investimentos para o próximo ano ultrapassam R$ 1 bilhão, segundo Nereu.
Para o líder da base aliada, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), o Executivo deve aguardar para conhecer os reais efeitos da crise. ''Acho temerário fazer agora um contingenciamento no orçamento se, no momento, a participação do Estado é fundamental'', argumentou. Para Romanelli, são justamente os investimentos públicos que devem garantir a recuperação do País.
Ao projeto de lei original, foram apresentadas 4.298 emendas dos parlamentares, sendo que 2.755 foram acolhidas pelo relator. O valor das emendas acatadas representa cerca de R$ 225 milhões. Uma das emendas autoriza o Estado a gastar até R$ 45 milhões com veículos de comunicação social. ''O governo fez uma opção pelos meios públicos, pela Agência Estadual de Notícias, pela RTVE (Rádio e Televisão Educativa do Paraná), mas sou um defensor dos meios privados também'', comentou Romanelli, um dos autores da emenda. Hoje, a proposta de LOA deve ser votada em segundo turno.

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