A audiência pública para discussão do Orçamento de Londrina de 2017, nessa sexta-feira (9), escancarou o clima tenso entre as equipes de transição do prefeito Alexandre Kireeff (PSD) e do prefeito eleito Marcelo Belinati (PP). Nas quase três horas da reunião, os debates principais foram o deficit da Caixa de Assistência, Aposentadorias e Pensões dos Servidores (Caapsml), falta de dinheiro para pagamentos de precatórios e contrapartidas para obras de infraestrutura a partir do ano que vem. Ao final, os cidadãos que ocupavam boa parte das galerias da Câmara de Vereadores presenciaram secretários e assessores com ânimos exaltados e que por muito pouco não descambaram em agressões físicas, ainda no plenário.

Os participantes podiam fazer perguntas e cobrar destinação de verbas para setores específicos no município. A estimativa orçamentária é de R$ 1,8 bilhão. O chefe do gabinete parlamentar de Belinati e atual coordenador da equipe de transição do pepista, Marcelo Canhada, cobrou "objetividade" do atual secretário de Planejamento, Daniel Pelisson, sobre a destinação de recursos. "Houve cortes até para atendimentos na Saúde! Onde estão previstos os recursos para precatórios? E as obras contratadas e projetos em andamento, como o Superbus, como saldar essas contas?", indagou Canhada, extrapolando várias vezes o tempo reservado para perguntas. Pelissou reagiu. "Com todo o respeito, vi o seu candidato (Belinati) falar durante a campanha que a Saúde tinha dinheiro e que faltava gestão. Fizemos um orçamento enxuto, realista, sem ficção, e talvez isso esteja dando margem para essas suas ilações."

Dentre os vereadores que participaram da sessão, Elza Correia (PMDB) e Sandra Graça (PRB), discursaram em favor da administração Kireeff. "Vejo a nítida tentativa aqui de politizar essa questão do orçamento", falou Elza.

O último ato da audiência teve uma discussão ácida entre Pelisson e o diretor de Orçamento da administração, o servidor de carreira Edson Antonio de Souza, escolhido por Belinati como o próximo secretário de Fazenda e Planejamento. Enquanto Pelisson defendeu, o tempo todo, o projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA), como "enxuto e realista", Souza classificou a peça como "inexequível", quando respondia a um questionamento de Sandra Graça. Souza sugeriu aos vereadores que poderiam até encerrar o ano sem votá-lo, ao comparar com o Congresso Nacional, que aprovou o Orçamento da União em 2015 com atraso. Ele foi interpelado por Pelisson. "Quem fez esse orçamento?", argumentou Pelisson, ressaltando que Souza era o seu assessor direto na administração. "Você passou um claro recado para não votar, o que é isso?". O bate-boca generalizado seguiu por alguns minutos nos corredores do Legislativo, enquanto os grupos se dispersavam.

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