'Orçamento é inadministrável', diz governador petista
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sábado, 23 de novembro de 2002
Agência Estado 
Brasília- Os relatórios produzidos pela equipe de transição do novo governo apontarão distorções muito grandes entre a realidade que os petistas encontram e a apresentada pela equipe do presidente Fernando Henrique Cardoso. Um dos grandes problemas das duas equipes será em relação ao Orçamento. O governador do Acre, Jorge Viana, reeleito pelo PT, classificou o orçamento preparado pela atual equipe econômica como ''quase inadministrável''.
Para Viana, o clima de ''lua-de-mel'' que existe hoje entre as duas equipes de transição certamente não vai perdurar depois que o PT apresentar o diagnóstico da herança que está recebendo. O governador esteve ontem no Palácio do Planalto, para convidar Fernando Henrique para inaugurar a estrada que dará acesso ao Oceano Pacífico, em meados de dezembro. O convite teria sido aceito, de acordo com Viana. ''Pode ser o fim da lua de mel e o começo de uma outra relação, apesar de durante a transição tudo ter corrido muito bem'', disse Viana.
Segundo o governador, ''a partir do balanço do PT, vai acabar esta impressão equivocada de que estão (integrantes do atual governo) querendo passar para a população que está tudo bem no País, que as contas e as coisas estão todas em ordem''. E ressalvou: ''Vamos mostrar que apesar de estarem querendo mostrar que estão nos entregando um presente, quem está recebendo dirá que não se trata de um presente, mas de um problema e um grande problema.''
Para Viana, isso não significa que haverá ''rompimento'' entre os dois governos, mesmo porque os dois presidentes têm mantido um diálogo muito bom. ''Mas, com certeza, vamos ter desencontros de opiniões sobre cada questão'', ponderou o governador, que deu as declarações depois de se reunir com Fernando Henrique. O governador garantiu que o presidente considerou ''normal'' este ''desencontro de pontos de vista'' e teria dito que deve haver compreensão sobre estes problemas.
''Não é que a lua-de-mel vá acabar, mas o relacionamento vai mudar'', filosofou.
''Lamento que haja um problema tão grande no Orçamento, depois de tanto tempo e que ainda se gaste tão mal o pouco dinheiro que se tem'', disse o governador petista.


