A bancada que dá sustentação ao governador Jaime Lerner (PFL) na Assembléia Legislativa decidiu abrir mão das emendas ao Orçamento de 2002. Ontem, os aliados estiveram reunidos com o líder do governo e relator do orçamento, Durval Amaral (PFL), e foram unânimes ao afirmar que não vão apresentar emendas à proposta encaminhada pelo Palácio Iguaçu.
''Mesmo com esse novo cenário, em que a privatização da Copel não aconteceu, pelo menos por enquanto, os deputados entenderam que essa é uma forma de contribuir para dar mais flexibilidade orçamentária'', disse Amaral. ''É um voto irrestrito de confiança ao governo'', emendou. A intenção de deixar as emendas de lado surgiu antes de o leilão da companhia de energia fracassar. Os deputados apostavam que seus redutos eleitorais seriam atendidos com os recursos obtidos com a venda.
Amaral disse que os deputados têm consciência de que estão abrindo mão de emendas em ano pré-eleitoral, quando a viabilização de novas obras nas bases tem maior peso. ''Eles entendem que a Assembléia tem que dar uma demonstração de austeridade. Os prefeitos vão entender que isso pode repercutir em benefício dos próprios municípios'', afirmou.
Logo depois que o primeiro leilão da Copel teve que ser cancelado (no dia 30 de outubro), por falta de depósito de garantias das empresas interessadas na estatal, vários prefeitos foram aos gabinetes de seus deputados. Eles cobraram uma posição de seus representantes, pois não querem ficar sem melhorias nos municípios. O governador prometeu aos deputados que recursos não vão faltar, porque a arrecadação do Estado cresceu (10,7% no primeiro semestre deste ano, segundo a Secretaria da Fazenda).
O presidente da Comissão de Orçamento, César Silvestri (PPS), disse que ainda não foi comunicado da decisão da base aliada. ''Os deputados estão abrindo mão de um direito, que é uma das poucas prerrogativas que a Assembléia tem em relação às finanças do Estado''. O prazo para apresentação de emendas termina no dia 23 deste mês.
A bancada de oposição teme que a base governista que tem maioria na Casa derrube suas emendas, mantendo a proposta exatamente como foi encaminhada pelo Executivo. Reclamam ainda que as emendas de 2001 não foram cumpridas. Durval Amaral, negou que tenha essa intenção.

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