Leandro Donatti
De Curitiba
Pela segunda vez consecutiva, o governo Jaime Lerner (PFL) fracassou na tentativa de unificar a metodologia na apresentação de emendas, tornando inalterado o bolo de R$ 10,9 bilhões da proposta orçamentária do Paraná para 2000. Deputados de oposição e de situação não se reuniram ontem, como ficou acertado na semana passada, na primeira rodada de discussões, e a polêmica agora é com relação à origem dos recursos que o governo se propõe a disponibilizar, caso os deputados aceitem o limite pré-fixado, de R$ 1,5 milhão cada, para promover remanejamentos. O chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda Ribas, reuniu-se pela manhã com o líder do governo, Valdir Rossoni (PTB), para apressar as negociações.
O governo avisou que o dinheiro para os remanejamentos vem da privatização da Copel. A oposição reagiu. ‘‘Se a origem for essa, não tem acordo’’, disse Orlando Pessuti, líder do PMDB. O deputado, crítico mordaz da venda de ações da Copel, pretendia reunir ontem os deputados da oposição para discutir o assunto, que será retomado numa conversa ampliada pelas lideranças das bancadas hoje depois da sessão. ‘‘Não concordamos com isso. Queremos que a fonte das nossas emendas seja o Tesouro do Estado’’, reforçou Pessuti, com medo de pôr em xeque o discurso anti-privativista da oposição. ‘‘Além do mais não temos garantia nenhuma que vamos ter as emendas cumpridas. Assim é melhor apresentar as emendas que quiser. Pelo menos, demonstramos ao governo a real necessidade das regiões’’, avaliou Pessuti.
Rossoni não escondia ontem a irritação com a exigência dos aliados. O líder do governo foi duramente pressionado por diversos deputados que integram a base de sustentação de Lerner na Assembléia. Os aliados do governador aceitaram o limite de R$ 1,5 milhão com a promessa de cumprimento, mas consideram um absurdo a extensão do privilégio aos deputados de oposição, os maiores críticos do Palácio Iguaçu.
O governador não entende assim, manifestou ontem o chefe da Casa Civil na conversa com Rossoni e alguns líderes governistas. A estratégia de Lerner, segundo o que corria ontem nos bastidores, é desmontar o discurso da oposição contra a entrega da Copel à iniciativa privada. Rossoni disse que se a oposição não aceitar a oferta, as emendas dos 13 deputados do PMDB, PT e setores do PSDB e PDT serão analisadas caso a caso, valendo a vontade da maioria, que é governista.
O presidente da Comissão de Orçamento, César Silvestri (PTB), não desiste do arranjo. O deputado apresenta hoje, na reunião ampliada, possibilidade técnica de atender à reivindicação da oposição e deslocar a fonte de recursos, em vez do caixa que será feito com a venda da Copel, para o geral do Tesouro. Durval Amaral (PFL), o relator da proposta orçamentária do ano que vem, avisa que a fonte do Tesouro ‘‘mal paga os salários dos servidores’’. ‘‘É o dinheiro mais difícil de se receber’’, salientou.
Para o relator, o discurso da oposição não passa de um pretexto para não fechar acordo. ‘‘No governo Requião, foi autorizada a alienação de ações da Copel para investimentos. Qual a diferença agora?’’, questionou Durval Amaral. O relator disse que, se o impasse persistir, ele não tem como proibir a apresentação indiscriminada de emendas. ‘‘Porém, cabe a mim recebê-las ou não’’, ameaçou Amaral.

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