Orçamento da Defesa em 2005 é de R$ 5,2 bilhões Alencar reconhece escassez de recursos para militares
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terça-feira, 09 de novembro de 2004
Eduardo Scolese e Julia Duailibi<br> Folhapress 
Brasília - Ao acumular ontem o cargo de ministro da Defesa, o vice-presidente, José Alencar, admitiu que os recursos orçamentários reservados para as Forças Armadas são insuficientes para a demanda dos militares. E deu a entender que pretende passar uma borracha sobre os atritos recentes entre a pasta e os comandantes, que devem ser mantidos. ''A minha visão é daqui para a frente. Não tenho nada com o passado'', disse. ''Os desafios são enormes, imensos. Os recursos são escassos diante da magnitude das tarefas que nos aguardam'', disse Alencar, em discurso de 15 minutos.
O Ministério da Defesa tem um orçamento previsto para custeio e investimento, em 2005, de R$ 5,2 bi. Neste ano, o orçamento foi de R$ 4,1 bi e, com suplementação orçamentária, foi para R$ 5,3 bi.
Em sua fala, o novo ministro da Defesa disse que um de seus objetivos é criar condições para o aparelhamento das Forças Armadas. ''Devemos criar condições para que a Marinha, o Exército e a Aeronáutica, de forma harmônica e coesa, sejam aparelhados e adestrados, conservando-se aptos para o emprego, sob quaisquer circunstâncias.''
Um dos atritos entre o ex-ministro José Viegas e os comandantes das Forças Armadas surgiu justamente por causa da questão orçamentária e a negociação do reajuste salarial aos militares.
Alencar, ao admitir ontem a escassez de recursos, já deixou um alerta aos militares sobre as dificuldades que terá a partir do primeiro trimestre do ano que vem, quando está prometido o pagamento da segunda parcela de reajuste aos militares - a proposta é de 10% em 2004 (paga em setembro) e 23% até março de 2005.
Para Alencar, tratar desse tema é um dos deveres do ministério. ''Atento às aspirações básicas e justas da família militar, é também dever do Ministério da Defesa compatibilizar os orçamentos com as necessidades de reaparelhamento das Forças Armadas.''
No momento em que se discute a abertura dos arquivos sobre a atuação das Forças Armadas na ditadura militar (1964-1985), o vice-presidente e agora também ministro da Defesa falou em ''eventuais equívocos de percurso'' na história militar do país. ''As Forças Armadas são instituições grandiosas e permanentes. Historicamente superam barreiras e eventuais equívocos de percurso, pois são esteios da soberania e fatores de estabilidade, mantendo-se, muitas vezes, como a única presença nacional nas áreas mais remotas e carentes do território brasileiro.''
No discurso, Alencar também citou a ''admirável dedicação administrativa'' de Viegas enquanto ocupou o Ministério da Defesa. Após a solenidade, Alencar permaneceu por um hora no salão nobre do Planalto recebendo os cumprimentos de militares, políticos e funcionários da Defesa. A seguir, falou rapidamente à imprensa. Disse que precisa conhecer o ministério antes de fazer comentários a respeito.
Questionado sobre a permanência de um ''bombardeado'' comandante do Exército, o general Francisco Albuquerque, Alencar disse: ''Não há nenhum bombardeio. O que nós estamos vendo é o contrário, é uma disponibilidade total dos três comandantes para exercer o trabalho sempre sério em benefício de uma causa maior, que é o país (...)''


