O governo está avaliando que chegou ao fim o mecanismo de cortes no orçamento para reduzir despesas e que não há mais como retirar novos recursos da sociedade pela via da tributação, nem mesmo para a área social. É preciso gastar menos para se fazer o que se faz hoje, ou então obter mais resultados com menos dinheiro.
Com este objetivo, o ministro-chefe da Casa Civil, Clóvis Carvalho, e o ministro de Orçamento e Gestão, Paulo Paiva, começaram ontem a discutir, com os secretários-executivos de todos os ministérios e os secretários de Estado, uma ação coletiva para implantar uma nova forma de gerenciamento dos recursos públicos.
O ministro-chefe da Casa Civil, Clóvis Carvalho, disse que, face a impossibilidade de elevar a carga tributária, a única forma de aumentar gastos na área social é fazer sobrar esses recursos, fazer com que a própria gestão otimize a sua utilização. ‘‘Isso nos obriga a rever a forma como se gasta’’, afirmou ele, num intervalo da reunião por ele coordenada e que se estendeu por todo o dia, na Granja do Torto.
A nova sistemática de gerenciamento seguirá o modelo de gestão dos projetos abrangidos pelo Programa Brasil em Ação. A idéia é agrupar as atividades-fim do governo em cerca de 300 programas, com objetivos e públicos bem definidos e cada um deles sendo administrado por um gerente.
Uma característica forte do Brasil em ação é a avaliação detalhada e permanente de seus resultados. Clóvis Carvalho disse que esse conceito de programa no gerenciamento já será usado na elaboração da proposta do Orçamento da União do próximo ano e no Plano Plurianual do Governo Federal para o período de 2000 a 2003.
Até lá, entretanto, segundo Carvalho, o governo já vai fazendo experiências-piloto. Este ano, tais experiências serão feitas em alguns órgãos do governo que queiram aderir à nova metodologia, tais como a Presidência da República, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O ministro-chefe da Casa Civil disse, ainda, que esta é uma tentativa do governo de olhar mais à frente, não só se dedicando a superar as dificuldades de 1999.

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