Os peemedebistas que defendem candidatura própria do partido ao Palácio do Planalto estão preparando uma armadilha para o governo na convenção nacional que vai definir o apoio à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. ‘‘Vamos transformar esta convenção no espaço das denúncias contra o governo federal’’, anunciou ontem o senador presidenciável Roberto Requião (PR). O senador aposta que, ao final do encontro dos peemedebistas, o presidente ‘‘desejará não ter o apoio do PMDB’’.
A ala governista do partido, que já articulava a convenção para 8 de fevereiro, está empenhada em realizá-la principalmente após o encontro de terça-feira do presidente do PMDB, Paes de Andrade (CE), com o candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Irritados com as críticas e a movimentação de Paes, o Planalto e seus aliados do PMDB querem aproveitar a convenção para se verem livres do presidente rebelde que quer se juntar às oposições nas eleições de outubro.
‘‘Jogar na convenção para derrubar Paes de Andrade é uma operação de alto risco para o Planalto’’, advertiu ontem o senador José Sarney (PMDB-AP).
Presidenciável do partido que vem ostentando uma média de 15 pontos porcentuais nas pesquisas sobre a preferência do eleitorado na disputa presidencial, Sarney tem insistido com os governistas na conciliação, para evitar a derrubada de Paes. ‘‘Tenho feito gestões pelo entendimento porque mais importante que candidaturas é a unidade’’, confirmou Sarney.
O senador está convencido de que a operação dos governistas para trocar o presidente do PMDB vai provocar uma ‘‘cisão’’ no partido, prejudicial ao próprio governo.
O empenho de Sarney por uma solução negociada na troca de comando do partido já não tem mais eco entre os governistas. ‘‘O Sarney me disse que o Paes ia sossegar, mas ele agora passou dos limites’’, disse um dos líderes da ala governista. ‘‘Com que autoridade ele procurou o PT?’’, cobrou ontem o líder do PMDB no Senado, Jáder Barbalho (PA), dando sinais de que sua cota de solidariedade chegou ao fim. ‘‘Paes é presidente, mas não é o dono do partido.’’

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