Opositores usarão convenção para reforçar denúncias
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quinta-feira, 15 de janeiro de 1998
Agência Estado Brasília 
Os peemedebistas que defendem candidatura própria do partido ao Palácio do Planalto estão preparando uma armadilha para o governo na convenção nacional que vai definir o apoio à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. Vamos transformar esta convenção no espaço das denúncias contra o governo federal, anunciou ontem o senador presidenciável Roberto Requião (PR). O senador aposta que, ao final do encontro dos peemedebistas, o presidente desejará não ter o apoio do PMDB.
A ala governista do partido, que já articulava a convenção para 8 de fevereiro, está empenhada em realizá-la principalmente após o encontro de terça-feira do presidente do PMDB, Paes de Andrade (CE), com o candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Irritados com as críticas e a movimentação de Paes, o Planalto e seus aliados do PMDB querem aproveitar a convenção para se verem livres do presidente rebelde que quer se juntar às oposições nas eleições de outubro.
Jogar na convenção para derrubar Paes de Andrade é uma operação de alto risco para o Planalto, advertiu ontem o senador José Sarney (PMDB-AP).
Presidenciável do partido que vem ostentando uma média de 15 pontos porcentuais nas pesquisas sobre a preferência do eleitorado na disputa presidencial, Sarney tem insistido com os governistas na conciliação, para evitar a derrubada de Paes. Tenho feito gestões pelo entendimento porque mais importante que candidaturas é a unidade, confirmou Sarney.
O senador está convencido de que a operação dos governistas para trocar o presidente do PMDB vai provocar uma cisão no partido, prejudicial ao próprio governo.
O empenho de Sarney por uma solução negociada na troca de comando do partido já não tem mais eco entre os governistas. O Sarney me disse que o Paes ia sossegar, mas ele agora passou dos limites, disse um dos líderes da ala governista. Com que autoridade ele procurou o PT?, cobrou ontem o líder do PMDB no Senado, Jáder Barbalho (PA), dando sinais de que sua cota de solidariedade chegou ao fim. Paes é presidente, mas não é o dono do partido.


