Brasília - Um dia depois de conseguir criar uma comissão mista de senadores e deputados para discutir a medida provisória do salário mínimo, os dois principais partidos de oposição, PSDB e PFL, definiram ontem as emendas à MP que apresentarão no plenário da Câmara: mínimo de R$ 275 e abono para compensar a entrada em vigor do reajuste em 1º de maio e não em 1º de abril.
A estratégia é levar o governo a sofrer o desgaste de ter que bancar a derrubada das emendas e manter o valor enviado na MP, de R$ 260. Devido a acordo fechado entre governistas e oposição, as duas emendas terão votação nominal, ou seja, será feito o registro dos votos pró e contra.
O acordo foi feito em virtude de o governo não ter conseguido, apenas com o apoio de sua base aliada, destrancar a pauta de votações na Câmara, emperrada por medidas provisórias não votadas no prazo previsto. MPs, normalmente, são aprovadas simbolicamente (sem registro nominal dos votos).
De acordo com os dois partidos de oposição, o salário mínimo de R$ 275 representaria um gasto adicional de R$ 2,15 bilhões que seria coberto, basicamente, com as receitas atípicas, ou seja, dívidas que a União tem direito a receber, mas não tem garantia de quando irá receber.

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