Curitiba - Os deputados que fazem oposição ao governo do Estado, na Assembléia Legislativa, estão preocupados com o efeito eleitoral das medidas de apelo popular que têm sido anunciadas pelo Palácio Iguaçu. Em menos de 15 dias, o governador Jaime Lerner (PFL) retomou convênios com prefeitos do Interior, formalizou o cancelamento do processo de privatização da Companhia Paranaense de Energia (Copel), instituiu um plano de saúde gratuito para todo o funcionalismo público, e garantiu a concessão de R$ 100,00 como gratificação para o quadro geral de servidores e Polícia Civil.
Em tese, o sucesso do governo fortalece os deputados da base aliada e atrapalha o desempenho dos pré-candidatos ao governo já colocados, os senadores Alvaro Dias (PDT) e Roberto Requião (PMDB), na briga pelo voto. A oposição, entretanto, prepara ofensiva para depois do Carnaval. Os deputados, com o aval dos pré-candidatos, vão questionar a origem do dinheiro que vai bancar os benefícios. A oposição suspeita que o governo fez uma espécie de poupança, para garantir o repasse de um grande volume de recursos em ano eleitoral.
Na retomada dos trabalhos da Assembléia, no próximo dia 18, os deputados de oposição prometem tornar o assunto uma bandeira. Um argumento será que o discurso no governo em 2001 foi que a Lei de Responsabilidade Fiscal impedia gastos-extras. O plano de saúde dos 160 mil servidores estatutários ativos e inativos, mais seus dependentes, por exemplo, vai custar em média R$ 6,5 milhões ao mês, investimento de R$ 80 milhões ao ano. Já a gratificação de R$ 100,00 para 22,9 mil servidores ativos e 1.824 policiais civis um impacto de R$ 2,2 milhões sobre a folha de pagamento, orçada em R$ 250 milhões.
O deputado José Maria Ferreira (PDT), membro da Comissão do Orçamento na Assembléia, defende uma investigação por parte do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e da própria Assembléia. Ele acredita que o governo pode estar sacando contra o futuro, apostando no aumento da arrecadação antes de sua efetivação.
O pedetista acredita ainda que o governo estaria se valendo dos cerca de R$ 150 milhões, referentes a depósitos judiciais, envolvendo questões tributárias, e que, até o mês passado ficavam sob a guarda do Poder Judiciário. A Assembléia aprovou no final do ano passado mensagem do governo transferindo o volume financeiro para o Tesouro do Estado.
Ferreira disse ainda que a gratificação dada ao funcionalismo pode estar sendo garantida com o aumento de ICMS de todos os produtos, que deverão render um extra em torno de R$ 16 milhões por mês. (Colaborou Vânia Casado)

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