Oposição vai barrar sessões do PPA
Agência Estado
De Brasília
Em represália à efetivação do senador Luiz Estevão (PMDB-DF) em uma das sub-relatorias do Plano Plurianual, os partidos de oposição decidiram obstruir as sessões em que será examinado o plano de investimento do governo para os próximos dois anos, de cerca de R$ 1,3 trilhão. Quer dizer que serão suspensos os trabalhos que não contarem com a presença de pelo menos 32 deputados e 11 senadores. Ou seja, metade mais um dos representantes das duas casas na Comissão mista do Orçamento. É a forma de mostrar a indignação por essa indicação, justificou o deputado João Fassarella (PT-MG).
A rejeição ao nome de Estevão parte igualmente de parlamentares da base parlamentar do governo, inclusive o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). O deputado Carlito Mérss (PT-SC) disse que percebeu o constrangimento de parlamentares do PFL e PSDB quando o nome de Luiz Estevão foi anunciado. Estevão é suspeito de ter participado do esquema que resultou no desvio de R$ 169 milhões dos R$ 236 milhões destinados às obras do fórum trabalhista de São Paulo. Além de ele ter participado da licitação da obra, tida como viciada pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas da União (TCU), suas empresas receberam no período da construção mais de US$40 milhões do grupo Monteiro de Barros, responsável pelo projeto. Os números foram descobertos pela CPI do Judiciário.
Para o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), a decisão de Estevão de pedir a vaga e a do líder do PMDB, Jáder Barbalho (PA), de atender ao pedido foi um erro político. Ele disse que não poderia intervir na questão, a não ser que o funcionamento da comissão fique ameaçado. Barbalho convocou uma entrevista coletiva para reafirmar seu apoio a Luiz Estevão. Segundo ele, rever a indicação seria o mesmo que prejulgar o colega antes de a CPI concluir seus trabalhos. Não me afasto das pessoas quando alguém quer transformá-las em Geni, afirmou. Todos sabem que não existe um relatório da CPI formalizando a acusação.
Sobre a informação, dita por parlamentares do partido, de que teria recebido dinheiro de Estevão para aplicar na campanha, Barbalho rebateu: Não vou responder porque senão eu teria de elogiar a mãe de quem disse isso. O presidente da Comissão do Orçamento, senador Gilberto Mestrinho (PMDB-AM), fortaleceu a função do relator-geral, Renato Vianna (PMDB-PR), para minimizar o desempenho dos relatores. É Vianna quem vai decidir as atribuições de cada um dos 10 sub-relatores.
Ontem, seguranças do Senado impediram integrantes do Fórum Terra, Trabalho e Cidadania de distribuir nas portarias e nos estacionamentos da Casa um tablóide em que são reproduzidas notícias publicadas na imprensa sobre as suspeitas que pesam sobre Luiz Estevão. Cerca de 100 mil tablóides foram distribuídos pelo Distrito Federal divulgando as investigações da CPI do Judiciário.





