Oposição vai a Brasília mas faz ressalvas
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segunda-feira, 18 de junho de 2007
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A bancada de oposição na Assembléia Legislativa continua disposta a ficar do mesmo lado do governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), durante a reunião que acontece amanhã, em Brasília, para tratar da multa mensal de R$ 10 milhões aplicada contra o Estado pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN), em função dos títulos públicos do Banestado. Mas, apesar da união dos discursos a favor do fim da multa, ontem o líder da oposição, Valdir Rossoni (PSDB), voltou a mirar o Executivo. Para o tucano, a multa não pode servir de ''justificativa'' para ''esconder os problemas de caixa''. ''Há um desequilíbrio financeiro, centenas de obras paralisadas. E o reajuste dos servidores públicos ainda não ocorreu'', atacou Rossoni.
Durval Amaral (DEM) conta que os membros do DEM, durante reunião da executiva da sigla, resolveram ''apoiar o pleito do Estado'', mas também enfatizou que há ''ressalvas''. ''Se o Estado se encontra numa situação negativa é por conta de uma gestão de quatro anos e meio do Requião. Nós (oposição) apoiamos o fim da multa, mas não fomos favoráveis à compra da UEGA (Usina Elétrica a Gás de Araucária), nem às rescisões unilaterais de contrato'', destacou.
Questionado sobre o assunto, Caíto Quintana (PMDB) nega o desequilíbrio financeiro apontado pela oposição. ''É claro que a sangria de R$ 10 milhões afeta (os cofres públicos), mas não significa que o Estado esteja em declínio de arrecadação.'' Quintana enfatiza ainda que, ao solicitar ajuda da oposição no caso da multa, Requião está sendo ''democrático''.
Da Assembléia Legislativa, pelo menos 14 parlamentares -incluindo o presidente da Casa, Nelson Justus (DEM) - já confirmaram presença na reunião em Brasília. Do grupo, oito pertencem à oposição - Rossoni, Durval, Plauto Miró (DEM), Ademar Traiano (PSDB), Ribas Carli Filho (PSB), Cida Borghetti (PP), Marcelo Rangel (PPS) e Augustinho Zucchi (PDT). Da bancada aliada, Alexandre Curi (PMDB), Waldyr Pugliesi (PMDB), Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), Elton Welter (PT) e Fábio Camargo (PTB) confirmaram presença.
Um outro grupo de deputados federais e senadores do Paraná - incluindo o pedetista Osmar Dias, que disputou o segundo turno das eleições ao Estado em 2006 - também confirmou presença. Dias foi convidado para participar da reunião pelo secretário-chefe da Casa Civil, Rafael Iatauro.
Para entender o caso
- Em 2000, o Governo do Paraná assumiu títulos públicos do Banestado - sem valor de mercado, conhecidos como ''títulos podres''. A compra foi sugerida pelo Banco Central, para que o Banestado pudesse ser vendido ao banco Itaú.
- Em 2003, Requião, entrou com recurso para que o Estado não bancasse o pagamento dos títulos. O banco Itaú também apelou judicialmente para exigir o pagamento, provocando a intervenção da Secretaria do Tesouro Nacional (STN).
- Em novembro de 2004, o Governo do Paraná começou a ser punido pela STN, que hoje cobra do Estado uma multa mensal de R$ 10 milhões.
- Desde então, o governador tenta negociar o fim da multa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
- No início de 2007, Lula teria se comprometido a estudar o caso, mas as multas continuam sendo aplicadas.


