Oposição usa saída de Botto para pedir CPI
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quinta-feira, 01 de novembro de 2007
Rodrigo Lopes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A notícia de que o ex-procurador-geral do Estado Sérgio Botto de Lacerda está novamente deixando o governo repercutiu na Assembléia Legislativa. Deputados de oposição fizeram duras críticas à postura do Executivo e pediram aos parlamentares que aprovem a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar casos de corrupção no governo do Estado. A liderança da situação na Casa descartou essa possibilidade e afirmou que Botto terá que responder por seus atos. A Copel, por sua vez, declarou que pode levar o assunto ao Ministério Público para que sejam tomadas providências.
O líder do bloco oposicionista, Valdir Rossoni (PSDB), questionou a postura de Botto no episódio que resultou em sua saída e destacou as suspeitas levantadas pelo ex-procurador na carta enviada a Requião. ''Isso justifica mais do que nunca o nosso requerimento para criação da CPI'', disse. ''Até agora eram os deputados de oposição que levantavam as denúncias de corrupção. Agora é o governo que denuncia o próprio governo'', acrescentou Rossoni, que fez um apelo aos deputados para que assinem a proposta de CPI.
Já o líder do governo, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), mais uma vez descartou a necessidade da comissão, alegando que se trata de um tema genérico. ''A oposição está na função dela, mas para termos uma CPI é preciso um fato determinado.'' Sobre a saída de Botto, Romanelli afirmou que ele deve responder por seus atos. ''Ele pode advogar sem problema algum, mas é preciso averiguar se ele não transcendeu os limites da ética.''
No fim da tarde, a Copel divulgou nota oficial, explicando que Botto assumiu uma vaga no Conselho de Administração da empresa em 4 de maio, recebendo os honorários relativos à função. Segundo a estatal, o episódio da negociação de Botto com a Sanedo apontaria ''para procedimentos ou conduta considerados como irregulares ou, no mínimo, incompatíveis'' com os de um membro do Conselho, ''que não deveria participar, interferir ou atuar em favor de terceiros - mesmo em caráter particular como profissional, posto tratar-se de um advogado - em assuntos envolvendo a Copel''. A empresa afirma estar analisando o assunto para que, sendo o caso, acionar o MP.


