Oposição usa declaração de Barbosa para criticar governo
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terça-feira, 21 de maio de 2013
Márcio Falcão <br>Folhapress 
Brasília - Líderes da oposição fizeram coro ontem com as críticas do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, à atuação do Congresso ao aceitar as interferências do Planalto na pauta de votações. A movimentação começou após a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) se reunir com líderes governistas e fazer um apelo para a votação de quatro medidas provisórias que perdem a validade no início de julho. As MPs precisam ser analisadas pela Câmara ainda nesta semana, para depois seguir ao Senado.
A pressão do Planalto irritou os oposicionistas, que levaram as críticas de Barbosa para a reunião de líderes. Anteontem, em uma palestra para estudantes universitários, o presidente do Supremo atacou o Congresso ao dizer que ele se destaca pela ''ineficiência'' e é ''inteiramente dominado'' pelo Executivo.
Atribuindo parte do problema à fragilidade dos partidos políticos brasileiros, Barbosa disse que os partidos são ''de mentirinha'' e que a população raramente se identifica com seus representantes.
Nas discussões sobre a pauta de votações da semana, líderes da oposição citaram Barbosa. Diante do embate, lideres governistas cederam e decidiram colocar em votação, além das medidas provisórias, outros quatro projetos.
''Se (o governo) acha que vamos dar respaldo a Barbosa, não vamos votar. A impressão que temos é que o Joaquim Barbosa tem razão, que essa Casa não se dá ao respeito'', disse o líder da MD (Mobilização Democrática), Rubens Bueno (PR).
''Foi acordado para que não prevalecesse o que determinou a ministra Ideli, mais uma vez numa ingerência, para demonstrarmos que temos o mínimo de postura o que tange as prerrogativas do Legislativo'', afirmou o líder do PSDB, Carlos Sampaio (SP).
No início da sessão, o presidente da Câmara em exercício, Andre Vargas (PT-PR), voltou a criticar Barbosa, dizendo que a fala foi lamentável. ''Ele, como presidente de um Poder, não pode se dirigir dessa forma a outro Poder'', disse.


