Brasília - A CPMF transformou-se ontem no primeiro alvo da reação dos oposicionistas à absolvição de Renan Calheiros com apoio explícito do PT e do Planalto. Na Câmara, apesar dos esforços do presidente Arlindo Chinaglia (PT-SP), que deixou de plantão os deputados até as duas horas da madrugada de ontem, em uma sessão que teve quase dez horas de duração, os líderes de partidos aliados não conseguiram limpar a pauta de votações, o que permitiria aprovar a contribuição, em primeiro turno, na semana que vem.
No Senado, o vice-presidente da Casa, Tião Vianna (PT-AC), resumiu as dificuldades: ''Há um ambiente de ressentimento profundo na oposição e a CPMF não será aprovada no Senado se não houver um desejo de repactuação dessa relação''.
Apesar desse clima político, o senador Renan Calheiros não vê problema para aprovar a contribuição. Em entrevista à Rádio Gaúcha, ele deu sinais de que pretende enfrentar a oposição e comandar a votação da CPMF. ''A dificuldade é a mesma de votar uma emenda constitucional que precisa de ter quorum qualificado e a de aprovar o mesmo texto, em dois turnos de votação, nas duas Casas'', afirmou.
Para o senador Sérgio Guerra (PE), que é cotado para substituir Tasso Jereissati na presidência do PSDB, é mais fácil unir a oposição contra a CPMF, do que contra Renan. A despeito da pressão dos governadores do PSDB, especialmente o paulista José Serra e o mineiro Aécio Neves, que hoje são os mais fortes candidatos à sucessão do presidente Lula, Guerra acredita que o governo não terá como aprovar a CPMF sem fazer concessões. ''E quando digo concessão não falo em compartilhar os recursos com os Estados, mas em concessão à sociedade, para reduzir a carga tributária.''
Em represália à absolvição de Renan Calheiros, a oposição montou uma mega operação para dificultar a vida do governo na Câmara e, consequentemente, atrasar a aprovação da CPMF. Os oposicionistas conseguiram arrastar uma sessão durante quase dez horas de votação da medida provisória que prorroga o recadastramento de armas de fogo para 2 de julho de 2008.
A MP não foi votada ontem. Minoria na Câmara, resta à oposição lançar mão de manobras regimentais para atrasar as votações de interesse do Palácio do Planalto. E foi o que os oposicionistas fizeram com eficácia na madrugada de hoje: obrigaram o relator da MP do Recadastramento, deputado Pompeo de Matos (PDT-RS), a ler um calhamaço com mais de 100 páginas com seu voto, apresentaram uma dezena de requerimentos pedindo o adiamento da votação, além de se revezarem no microfone do plenário da Câmara fazendo longos discursos até que o cansaço vencesse a todos.
A MP do Recadastramento é a primeira da pauta de votações e ficou para ser analisada pelos deputados na sessão da Câmara da próxima terça-feira. A emenda da CPMF deverá ser votada na Câmara, em primeiro turno, somente na última semana de setembro.

mockup