A bancada de oposição ao governo na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná pretende instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar irregularidades envolvendo nomes de parlamentares e de pessoas ligadas ao Executivo citadas como recebedoras de dinheiro desviado da construção de escolas públicas. O caso é apurado na Operação Quadro Negro, desencadeada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço especializado do Ministério Público (MP).
Em uma gravação vazada, Vanessa Domingues de Oliveira, que seria laranja da empresa Valor Construtora e Serviços Ambientais, afirma que sacou dinheiro em espécie para o dono da construtora, Eduardo Lopes de Souza, entregar a Maurício Fanini, ex-diretor da Secretaria Estadual de Educação; ao secretário de Infraestrutura e Logística, Pepe Richa, irmão do governador Beto Richa (PSDB); a Juliano Borghetti, ex-vereador de Curitiba e irmão da vice-governadora, Cida Borghetti; e a "Abib Richa". Este último, a advogada de Vanessa, Alexssandra Saldanha Cabral, afirma que seria Luiz Abi Antoun, parente distante do governador Beto Richa (PSDB), acusado de ser um dos líderes dos esquemas de corrupção apurados nas operações Voldemort e Publicado, do Gaeco.
A advogada da construtora, Úrsula Andreas Ramos, também afirmou, em delação premiada, que o dinheiro desviado abasteceu a campanha de reeleição de Beto, além de ser distribuído aos deputados estaduais Ademar Traiano (PSDB), atual presidente da AL, Plauto Miró (DEM) e Tiago Amaral (PSB). O conselheiro do TC, Durval Amaral, pai de Tiago, também é citado como beneficiário. Todos negam participação. O advogado de Abi, Roberto Brzezinski Neto, não retornou o recado deixado na caixa postal do celular deixado pela FOLHA.
Enquanto isso, parte da apuração foi encaminhada para a Procuradoria-Geral da República (PGR), por haver citação de pessoas com foro no Superior Tribunal de Justiça (STJ) – como é o caso de governadores.
O líder da oposição, deputado estadual Tadeu Veneri (PT), afirma que, além da apuração do MP, há pontos importantes a serem esclarecidos e que os próprios deputados citados deveriam ter interesse em elucidá-los. "A AL não pode ficar nessa afirmação de que (as denúncias) são para desgastar a imagem", opina. Além disso, Veneri considera que a citação de Abi em uma terceira operação do Gaeco é preocupante e que é necessário esclarecer "qual a influência dele no governo".

CENÁRIO ADVERSO
No ano passado, a oposição tentou instaurar duas CPIs para apurar o caso de corrupção na Receita Estadual e a dívida do Estado, mas a bancada de situação tomou a dianteira e aprovou cinco outras apurações, que iam de furtos de caixas eletrônicos a maus tratos a animais. Isso minou a iniciativa da oposição, já que o Regimento Interno só permite cinco comissões de inquérito tramitarem ao mesmo tempo. Neste ano, há três CPIs em andamento na AL, que retorna do recesso parlamentar no dia 3 de fevereiro.

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