Curitiba – Os deputados de oposição terão dois obstáculos na tentativa de ressuscitar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Receita Estadual na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná. Esta possibilidade ganhou força após a divulgação da delação premiada do auditor fiscal de Londrina, Luiz Antonio de Souza, de que parte do dinheiro desviado da Receita Estadual teria abastecimento a campanha de reeleição do governador Beto Richa (PSDB). Para isso, os parlamentares terão que driblar a maioria governista para conseguir as 18 assinaturas necessárias para instalar o processo e, segundo, derrubar uma das cinco outras CPIs já propostas na Casa (o que inviabiliza a abertura de uma nova Comissão).
No final de março a oposição já tinha tentado emplacar a CPI, mas esbarrou justamente na manobra adotada pela base, que criou as cinco comissões simultâneas. Na época, apenas nove assinaturas tinham sido colhidas (Tadeu Veneri, Professor Lemos, Péricles de Melo, do PT; Requião Filho, Nereu Moura e Anibelli Neto, do PMDB; Nelson Luersen, do PDT; Tercílio Turini, do PPS; e Márcio Pacheco, do PPL).
Para o deputado Tadeu Veneri (PT), as informações do delator e auditor Luiz Antônio de Souza são muito graves e precisam ser apuradas. "Temos que ter cuidado com as formas em que as delações são feitas, mas de nada adianta desqualificar as pessoas que fazem as denúncias", afirmou. "Acho que os senhores deputados têm que começar a ver que nós estamos numa situação muito delicada e a sociedade paranaense quer uma explicação´´, completou. O discurso é reforçado por Requião Filho (PMDB). Segundo ele, a coleta de assinaturas já foi retomada. "Depois disso teremos que entrar na Justiça para derrubar uma ou duas CPIs ‘laranjas’ que a base do governo deu entrada na Casa. CPIs que, no meu entender, não tem objeto específico e que, por serem genéricas, acabam se tornando ilegal", disse.
A base governista refuta a acusação feita pelo delator que está preso em Londrina. Segundo o presidente da Casa, Ademar Traiano (PSDB), o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) já aprovou as contas do governador. "Não podemos dar guarida a uma manifestação de alguém que é pedófilo, está preso e usando como argumento uma mentira para tentar se autoproteger e reduzir sua pena", destacou. É o mesmo posicionamento defendido por Pedro Lupion (DEM). "Estamos ouvindo a delação premiada de um homem que foi preso por pedofilia, isso para mim já o descredencia de qualquer tipo de denúncia. Não sei o que uma CPI na Assembleia somaria com qualquer investigação do Gaeco ou do Judiciário. Não tem por que a AL entrar neste tema´´, ressaltou.
A oposição se movimenta ainda para encaminhar um requerimento ao Ministério Público Eleitoral (MPE) solicitando que a Polícia Federal (PF) abra um inquérito para coletar provas em cima da delação feita pelo auditor em Londrina. Segundo Requião Filho, caso estas investigações apontem as irregularidades já informadas pelo delator, deverá ser aberta uma denúncia de crime eleitoral contra o governador.

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