Oposição tenta recuperar criação de CPI
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de março de 2001
Renata Giraldi Especial para a Agência Estado 
A oposição deflagra a partir de segunda-feira uma ofensiva para recuperar a idéia de criação da CPI da corrupção. Nas principais cidades do País, serão realizados atos contra a base governista, que conseguiu barrar a instalação da comissão, e colhidas assinaturas a favor da apuração das denúncias de corrupção. No dia 5 o abaixo-assinado será divulgado em Brasília e inaugurado um painel gigante em frente ao Congresso Nacional com os nomes e fotografias dos senadores e deputados contrários à instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito. Apesar do esforço, alguns oposicionistas não escondem o pessimismo diante da vitória governista.
Há pouco o que fazer diante da pressão do governo, disse um integrante do PDT. Acho que a saída é a mobilização popular aliada à cobrança das entidades civis organizadas, do contrário, nada será resolvido, defendeu o líder do PSB na Câmara, Eduardo Campos (PE). Já o PT e o PPS mantêm o discurso otimista. A CPI da Corrupção não está morta porque mais de 80% da população já disse ser favorável à sua criação. Agora, se os governistas continuarem evitando sua instalação, seremos obrigados a associar a imagem do governo com a de corrupção. O governo ficará com a espada na cabeça até 2002 (ano das eleições presidenciais), ameaçou o líder petista, Walter Pinheiro (BA). Não é possível conviver com tantas denúncias. Se a sociedade não mostrar sua indignação, a situação do País não vai melhorar, completou o líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR).
A oposição negou temer o contra-ataque dos governistas, que ameaçam revidar o esforço para instalação da CPI trazendo à tona acusações que pesam sobre partidos oposicionistas. A idéia é estimular a discussão visando a instalação da CPI do Lixo em São Paulo, cuja meta é apurar suspeitas sobre os contratos de emergência de serviços de limpeza assinados pela prefeita petista, Marta Suplicy.
Os aliados pretendem, também, aprofundar as investigações sobre o desvio de dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), no Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal, durante governos do PT, e o nepotismo no governo de Alagoas, na gestão de Ronaldo Lessa (PSB). Não temos medo de punir nem de investigar. O que une a situação, a banda podre deste País, é buscar erros do outro lado para tentar justificar suas falhas, reagiu o petista Walter Pinheiro. O líder do PPS ressalta que o objetivo dos governistas é desviar o foco das atenções em meio à possibilidade de criar a CPI da Corrupção. Nós não tememos nada. O que não pode ocorrer é o governo sugerir a instalação de outras CPIs sendo que seu principal argumento é de que a da corrupção paralisaria as atividades do Congresso, afirmou Rubens Bueno. As CPIs não podem ser usadas como instrumentos de negociação como aconteceu, completou João Herrmann (PPS-SP).


