Oposição tenta ligar Correios ao mensalão
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segunda-feira, 20 de junho de 2005
Folhapress 
Brasília - Ao ouvir o servidor Maurício Marinho na CPI dos Correios, a oposição vai tentar hoje fazer um elo entre o suposto esquema de corrupção na estatal e o ''mensalão''. Já os governistas querem conduzir o depoimento de forma a incriminar o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), que tem sido a principal fonte de denúncias contra o PT e o Planalto. A oposição acusou ontem o comando da CPI, ocupado por governistas, de sonegar informações para atrapalhar sua atuação. Eles haviam pedido cópia do inquérito da Polícia Federal sobre o caso, mas, até o começo da noite, não haviam tido acesso. A CPI também deveria receber ainda ontem documentos da CGU (Controladoria-Geral da União) e da Procuradoria-Geral da República.
Ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios, Marinho aparece em um vídeo negociando propina para favorecer empresários em licitações na estatal. Indicado para o cargo pelo PTB, o funcionário diz na gravação que agia sob o comando de Jefferson, o que negou posteriormente à PF. Ao se explicar, Marinho diz que os R$ 3.000 que coloca no bolso, no vídeo, eram pagamento por uma futura consultoria.
A oposição quer relacionar as nomeações políticas feitas pelo então ministro José Dirceu (Casa Civil) para cargos no governo com o suposto desvio de recursos para o PT e partidos da base aliada. ''É fundamental mostrar esse vínculo entre a arrecadação de fundos nos Correios para o bornal do PT e o delito final, que é o pagamento do mensalão'', disse o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), membro da CPI.
Jefferson, que se licenciou da presidência do PTB na última sexta-feira, acusou o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, de pagar uma mesada de R$ 30 mil a deputados do PP e do PL para que eles permanecessem fiéis ao governo. A base aliada vai tentar levar o depoimento para outra direção. ''Em primeiro lugar, ele (Marinho) tem de apresentar provas que coloquem o Jefferson novamente na condição de réu. Ele é o fato gerador do episódio'', disse a senadora Ideli Salvatti (PT-SC).
O governo está tentando restringir os fatos geradores da atual crise política aos Correios e ao PTB, como forma de preservar o Planalto e o PT. Para o presidente da CPI, senador Delcídio do Amaral (PT-MS), não se pode atropelar a denúncia original. Segundo o relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), Jefferson deve depor após detalhamento do caso Correios. Além do depoimento de Marinho, a CPI analisa hoje parte dos 146 requerimentos de convocação e de quebras de sigilos.
A base aliada pretende ouvir na sequência o ex-diretor de Administração dos Correios Antônio Osório Batista, que também era da cota do PTB. A oposição quer que o próximo a depor seja Jefferson. Ao ser ouvido pelo Conselho de Ética da Câmara, ele disse que detalharia suas acusações na CPI.Tucanos e pefelistas também propõem a convocação de Dirceu.


