Oposição tenta ligar 'araponga' a Requião
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quarta-feira, 06 de setembro de 2006
Catarina Scortecci<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A prisão do policial civil Délcio Augusto Rasera, na última terça-feira, tomou proporções políticas na tarde de ontem. Rasera estava cedido ao Governo do Paraná e foi preso preventivamente porque é suspeito de comandar uma quadrilha que fazia interceptações clandestinas de ligações telefônicas. Em função da prisão, antes da entrevista coletiva convocada pelo candidato a governador Osmar Dias (PDT), ontem às 14h30, a assessoria do pedetista distribuía à imprensa um material referente ao policial preso. Um deles tratava-se da cópia de uma deliberação do Conselho da Polícia Civil, publicada no Diário Oficial no dia 7 de outubro de 2005, na qual comunicava que, por determinação do governador, os processos administrativos e sindicâncias abertos contra Rasera estavam sendo arquivados.
Um outro material informava o resultado de uma pesquisa feita no site da secretaria estadual da Administração e da Previdência na tentativa de levantar o histórico do policial. A pesquisa on-line aponta que Rasera prestaria serviços junto à assessoria especial do governador e estaria cedido para a função até o dia 31 de dezembro de 2006. O cargo de Rasera no Executivo não estaria, portanto, conferindo com a informação passada após a prisão pela assessoria de imprensa da Casa Civil. A informação da pasta era de que Rasera tinha sido cedido à Casa Civil, após ser colocado à disposição pelo Grupo Auxiliar de Recursos Humanos da Polícia Civil. E que, ao contrário do que a PIC havia divulgado, Rasera não trabalhava como assessor especial do governador.
A assessoria de imprensa da Casa Civil insistiu, ontem, na informação de que Rasera nunca foi assessor especial do governador. A informação é de que ele exercia uma função administrativa, sem ser nomeado para nenhum cargo, e que, inclusive, responderá a processo adminstrativo por ''usurpação de função''. A assessoria informou ainda que, logo que assumiu o cargo, o atual chefe da Casa Civil, Rafael Iatauro, sabendo que Rasera estava sendo investigado, pediu o afastamento do policial.
Além de ser suspeito de comandar uma quadrilha de interceptação telefônica clandestina, Rasera deve ser indiciado por posse ilegal de armas de fogo de uso proibido e restrito, entre fuzis e munição. A PIC também cumpriu mandados de busca e apreensão em ''três escritórios'' mantidos por Rasera com o objetivo de oferecer serviços de escuta de telefones móveis e fixos para empresários, advogados, políticos e autoridades públicas. A finalidade das interceptações ainda estão sendo investigadas pela PIC com base na análise do material apreendido. (Colaborou Andréa Lombardo)


