Oposição tenta impedir privatização
Marcelo AlmeidaUma pedra no caminhoRoberto Requião e Osmar Dias (centro): garantia de que acordo enfrentará dificuldades no Senado para ser aprovado Lideranças do PMDB, PSDB, PT, PC do B, PDT e PV assumiram ontem pela manhã, em Curitiba, compromisso público de revogar o acordo firmado entre o governo do Paraná e o Banco Central que prevê a privatização do Banestado em um ano, se um de seus pré-candidatos ao governo vencer as eleições de outubro. Os pré-candidatos do PMDB, senador Roberto Requião, e do PT, deputado federal Nedson Micheleti, criticaram os termos do acordo, no encontro que oficializou a criação de um comitê suprapartidário em defesa da manutenção do banco sob o controle estadual. O senador Osmar Dias (PSDB) representou o irmão, o presidente da Telepar Alvaro Dias. Pré-canditatos do PTB ao governo, o senador José Eduardo de Andrade Vieira, e do PPB, o deputado federal Ricardo Barros, não compareceram nem mandaram representante.
Um comitê integrado por políticos e técnicos também foi costurado para acompanhar o processo de negociação com o governo federal. O grupo busca hoje uma audiência com o presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL), e com o presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid, o Neco Garcia. A idéia é viabilizar a criação de uma comissão especial de parlamentares com poderes de participar diretamente das decisões. Do presidente do banco, o Comitê em Defesa do Banestado quer ter acesso a todos os documentos e papéis assinados, inclusive uma cópia do acordo fechado na sexta-feira e que será oficializado hoje, em Brasília, pelo governador Jaime Lerner.
Anibal Khury deixou claro que a tese da comissão de deputados só vingará se o acordo entre governo e BC não sair. Do contrário, a matéria fica superada, justificou o deputado, que pela manhã foi procurado por Requião e Osmar. Para evitar votações de afogadilho, os dois pediram discussão detalhada da lei estadual que referenda o saneamento. Khury informou que o governo ainda não encaminhou o texto e que a análise da matéria será feita com calma e posteriormente à assinatura do acordo. Integram o comitê, que hoje tenta audiência com o deputado, Ângelo Vanhoni, Florisvaldo Rosinha Fier e Nedson Micheleti, do PT; Luiz Claudio Romanelli e Caíto Quintana, do PMDB; José Maria Ferreira e Sérgio Spada, do PSDB; o ex-presidente do Banestado Heitor Wallece e os ex-diretores do banco Valter Senhorinho e Valmor Piccolo.
A oposição voltou a defender a proposta lançada por Requião no sábado, de transferir 350 milhões de ações que o governo possui na Copel para o patrimônio do Banco. As ações da Sanepar também foram incluídas neste bolo, ontem. A CAE (Comissão de Assuntos Econômicos do Senado) vai analisar esta questão, que pode ser uma saída para não entregarmos mais um banco estadual para a iniciativa privada, avaliou o senador Osmar Dias. Ele disse que o pacto acertado entre o BC e o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, precisa ser debatido. Este grupo suprapartidário tem de trabalhar rápido. Não foi à toda que o Lerner filiou-se ao PFL, declarou Osmar, prevendo ação política da cúpula do PFL para agilizar a tramitação da matéria, que, para valer, tem de passar pelo crivo do Senado.
Requião e Osmar não têm dúvidas de que, assim como os empréstimos externos do Paraná liberados em dezembro do ano passado, o saneamento do Banestado e a rolagem de R$ 475 milhões de dívida mobiliária provocarão polêmica entre os senadores, que podem pender novamente para o lado do governador Jaime Lerner. Não aceitamos a privatização e publicamente assumimos o compromisso de não cumprir esta negociata política. Eu não cumpro este protocolo malandro, discursou Requião. Ele falou num palanque montado no plenarinho da Assembléia para diversos funcionários do Banestado - boa parte arrebanhada por uma das conselheiras do Banco e representante da categoria, Zinara de Andrade - sindicatos e entidades estudantis.
O pré-candidato às prévias do PT que escolherá no final de semana o candidato ao Palácio Iguaçu, Nedson Micheleti, aproveitou a deixa para também manifestar o descontentamento da sigla com o acordo. Quem vai rasgar este acordo é o povo do Paraná, que em outubro não vai reeleger o governador, declarou. Para o petista, o momento é de ampliar a frente em defesa do banco, buscando apoios na sociedade civil organizada e em movimentos sociais como o dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST. (LD)





